Mães denunciam professora por agressão contra alunos em escola municipal de Congonhas
Professora foi afastada da institução de ensino, mas responsáveis indicam que diretora, que teria 'acobertado' agressões, também deveria ser retirada do cargo

Duas mães estão denunciando agressões desferidas por uma professora da Escola Municipal Odorico Martinho da Silva, em Congonhas, na Região Central de Minas Gerais, contra os filhos de três e quatro anos. A Itatiaia entrou em contato com a Prefeitura e Secretaria Municipal de Educação, questionando e pedindo um posicionamento sobre o caso, mas não havia obtido retorno até a última atualização desta reportagem. A matéria será atualizada com a resposta.
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) investiga as agressões. Ao todo, três casos foram registrados na instituição de ensino, segundo relatado pelas mães. A reportagem conversou com duas responsáveis, Jéssica e Jenifer, que contaram sobre as agressões ocorridas no dia 20 de maio deste ano.
Na data, as duas crianças disseram, após a aula, que tinham sido atingidas pela mesma professora. Jéssica, mãe de uma menina de quatro anos, relatou que, ao levantar a blusa da filha, percebeu que as costas da criança estavam vermelhas.
“Ela gostava muito de ir para a escola, gostava de brincar, participar das coisas. Mas, hoje em dia, chora quando precisa ir para a escola, o que aconteceu afetou muito ela”, disse Jéssica.
Em entrevista à reportagem, Jéssica contou que foi chamada pela diretora para ir até a instituição, quando teve a confirmação das agressões. “A escola me chamou somente no dia seguinte, tinham que ter me chamado na hora, para a gente acionar a Polícia Militar, fazer um exame de corpo de delito”, disse.
A professora foi afastada do cargo imediatamente, ainda de acordo com as mães. Jenifer, responsável por um menino de três anos, também relatou que o filho sofreu agressões da mesma professora. Entretanto, ela disse que não foi chamada pela diretora da escola, diferente de Jéssica:
“No dia seguinte das agressões, acordei com uma ligação da Jéssica falando que a diretora tinha chamado ela para conversar. Não fui chamada, mas fui até a escola e questionei o porquê ela não havia me comunicado”, explicou.
De acordo com Jenifer, casos sobre agressões na escola estavam circulando entre as mães e responsáveis. “A minha mãe, que trabalha na escola como terceirizada na cantina, me explicou que estava rolando um boato que uma criança tinha sido agredida. No final da aula, ela descobriu que o meu filho também tinha sido agredido”, disse.
“Meu filho está traumatizado. Ele estuda em tempo integral, porém não está querendo ir na aula durante a manhã, com medo de chegar e a professora estar lá”, contou Jenifer. “Ele é uma criança de três anos, não tem como eu ‘enfiar’ na cabeça dele que a professora não estaria lá”, acrescentou.
Diretora teria ‘interrogado’ crianças agredidas e mães pedem para que ela saia da escola
Jenifer contou, ainda, à reportagem, que a diretora da Escola Municipal Odorico Martinho da Silva “interrogou” as crianças agredidas, antes mesmo de comunicar as mães e responsáveis sobre o ocorrido.
“Ela perguntou para as crianças o que tinha acontecido. Uma delas falou que o meu filho também apanhou, além da filha da Jéssica. Falaram que a professora tinha batido a cabeça dele e ele tinha caído. Foi a mesma coisa que ele me relatou, quando chegou em casa”, explicou Jenifer.
Após as queixas dos filhos, Jéssica e Jenifer registraram um Boletim de Ocorrência (B.O) sobre o caso. A professora foi afastada do cargo, mas as mães apontam que a diretora da instituição estava acobertando as agressões e, por isso, buscam que ela também seja retirada da escola.
“Só assim para a gente ficar totalmente tranquila. Para mim, ela queria acobertar a professora, como diretora ela deveria ter nos chamado no dia que aconteceu e ter acionado a polícia”, contou Jenifer. “Se eu não tivesse ido até a escola, era capaz dela ter deixado por isso mesmo”, finalizou.
Polícia Civil investiga o caso
Em nota enviada à reportagem, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que instaurou um “procedimento investigativo” para apurar as circunstâncias do incidente — confirmando que envolve uma professora e três alunos, no dia 20 de maio, na Escola Municipal Odorico Martinho da Silva, em Congonhas.
“As principais oitivas já foram realizadas, e o procedimento deverá ser encerrado nos próximos dias”, escreveu a instituição afirmando que mais informações sobre o caso estão sob sigilo das investigações.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



