Mãe de adolescente vítima de pastor da Lagoinha pede justiça: 'Minha família sofre'
Igreja Batista da Lagoinha informou que afastou o líder religioso e proibiu-o de frequentar a unidade localizada no bairro São Geraldo, na Região Leste de Belo Horizonte

A Itatiaia conversou nesta quinta-feira (16) com a mãe de uma das vítimas do pastor da Igreja Batista da Lagoinha acusado de cometer crimes sexuais contra adolescentes frequentadores do templo religioso.
A denunciante é mãe de um garoto de 16 anos. Ela relatou que os abusos duraram cerca de dois anos. O suspeito era líder religioso na unidade da igreja localizado no bairro São Geraldo, na Região Leste de Belo Horizonte.
Em nota, a Igreja Batista da Lagoinha informou que o pastor foi afastado de todas as funções, proibido de frequentar a unidade e de manter contato com as vítimas. Leia o posicionamento na íntegra no fim desta reportagem.
“Nós só ficamos sabendo porque eu estava indo para o meu trabalho, meu filho me chamou para ir em casa, falou que precisava que eu voltasse para casa. Quando eu cheguei no portão da minha casa, o pastor estava na porta da minha casa. Ele havia tentado entrar na minha casa”, detalhou.
"Quando eu entrei dentro de casa, o meu filho já jogou na gente falando que não era para deixar ele entrar, que ele era um pedófilo, que ele era um abusador, que havia dois anos que ele estava sendo abusado por esse pastor", acrescentou.
O adolescente relatou que os abusos envolviam toques físicos sem consentimento ocorridos dentro da igreja.
"A minha família sofre. Os meus filhos foram totalmente afastados de todas as atividades que eles frequentavam. Os amigos se afastaram, a gente sofreu muita opinião negativa, porque as ovelhas dele acreditam na versão dele", afirmou.
Eu tenho fé de que a verdade vai aparecer para quem não acredita e que a justiça vai ser feita. Pode não acontecer a justiça do homem, mas a justiça divina vai.
A Polícia Civil (PCMG) instaurou um inquérito sobre as denúncias e informou que vem adotando todas as providências para apurar os fatos. A investigação está sob sigilo.
Nota da Igreja Batista da Lagoinha
''A Igreja Batista da Lagoinha esclarece que, ao tomar conhecimento das graves denúncias envolvendo um líder da unidade São Geraldo, em Belo Horizonte, agiu de forma imediata e responsável, priorizando o cuidado com as vítimas e suas famílias.
A denúncia foi recebida na terça-feira, 27 de janeiro, por volta das 20h. Na manhã de quarta-feira, 28 de janeiro, às 7h, a liderança ouviu pessoalmente as famílias e vítimas, orientando a imediata busca pelas autoridades competentes e disponibilizando apoio pastoral, psicológico e orientação jurídica.
Ainda na quarta-feira, o líder foi ouvido, negou as acusações e foi afastado imediatamente de todas as funções, além de proibido de frequentar a unidade e de manter contato com as vítimas. Um novo pastor assumiu a Lagoinha São Geraldo no mesmo momento, garantindo outra liderança desde o conhecimento dos fatos.
A Lagoinha Global adota, em todas as suas unidades, uma Política de Proteção à Criança e ao Adolescente, aplicada por meio de treinamentos obrigatórios a líderes e voluntários, com diretrizes como atuação em equipe, restrição a interações inadequadas, acompanhamento de atividades, verificação de antecedentes e encaminhamento formal de ocorrências às autoridades.
O caso está em fase de inquérito policial, conduzido pelas autoridades de Minas Gerais, e a igreja permanece à disposição para colaborar.
A Igreja Batista da Lagoinha repudia de forma absoluta qualquer prática contra a dignidade e integridade de crianças e adolescentes. Como igreja de Cristo, não toleramos nem relativizamos tais condutas. Oramos para que a verdade venha à luz e confiamos na responsabilização dos envolvidos, reafirmando nosso compromisso de proteger e cuidar de toda a comunidade''.
Repórter no portal da Itatiaia. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Formado em jornalismo pela PUC Minas, foi produtor do Itatiaia Patrulha e hoje é repórter policial e de cidades na Itatiaia. Também passou pelo caderno de política e economia do Jornal Estado de Minas.




