Ex-adido de consulado em Minas é suspeito de integrar o PCC
Tuta está desaparecido; autoridades acreditam que ele foi morto pelo 'tribunal do crime'

Um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, trabalhou no Consulado de Moçambique em Minas Gerais entre julho de 2018 até julho de 2019, quando recebeu R$ 10 mil mensais como adido. O UOL teve acesso ao depoimento e publicou a informação na quinta-feira (11).
Em resposta à Itatiaia, o ex-cônsul-honorário da República de Moçambique em Minas, Deusdete Januário Gonçalves, afirma que quando Marcos Roberto foi contratado ele não tinha ficha criminal e que o consulado não pode responder por atividades realizadas após a saída do órgão (veja resposta completa abaixo).
A contratação
À Justiça de São Paulo, Deusdete Gonçalves explicou que o consulado tinha vagas abertas para "adido comercial". Tuta foi apresentado por ministros-conselheiros da Embaixada de Moçambique no Brasil e preenchia os requisitos para o cargo. Portanto, foi efetivado com carteira assinada.
O trabalho de Tuta era apresentar ao consulado uma empresa disposta a investir em Moçambique a cada dois meses.
A Justiça ouviu Deusdete na condição de testemunha de defesa de Tuta em um processo sobre lavagem de dinheiro. Deusdete revelou que, quando foi chamado para depor na fase de inquérito, "sentiu-se desconfortável, chamou a atenção do adido comercial de forma dura e o desligou do consulado".
Tribunal do crime
Autoridades acreditam que Tuta tenha sido morto por integrantes do "tribunal do crime" do PCC. Ele não teria cumprido a missão de resgatar mais de dez líderes da organização criminosa recolhidos desde fevereiro de 2019 em penitenciárias federais. Ele teria sido expulso pela facção por "má condução e falta de responsabilidade", e não se sabe seu paradeiro.
O que diz o consulado
Em contato com a Itatiaia, Deusdete Januário Gonçalves explicou que o Consulado de Moçambique não tem relação com as atividades que o ex-funcionário possa ter desempenhado depois de trabalhar no órgão.
Quando Marcos Roberto de Almeida foi contratado, explica, tinha ficha limpa na polícia. “O consulado não tem qualquer responsabilidade pelo que fez na rua. Fato foi que em 2019, quando foi contratado, ele não tinha ficha criminal. Ele permaneceu no consulado por seis meses, quando descumpriu exigências e foi mandando embora", explica. "As denúncias contra ele surgiram um ano e oito meses depois da demissão. O consulado não tem nenhuma responsabilidade com o ex-funcionário, conforme comprovado pela apuração da Polícia Federal (PF)", destaca.
A Rádio de Minas. Tudo sobre o futebol mineiro, política, economia e informações de todo o Estado. A Itatiaia dá notícia de tudo.



