Letreiro do 'Guilherme' na Cristiano Machado: entenda o que faz um luthier
Guilherme Teixeira Souza, de 40 anos, instalou o letreiro na Avenida Cristiano Machado em 2017; após ser notificado para apagá-lo, ele criou um abaixo-assinado que já reúne quase 2 mil assinaturas

Quem passa pela Avenida Cristiano Machado, na Região Leste de Belo Horizonte, provavelmente já reparou no letreiro instalado na janela de um prédio no bairro Sagrada Família. A estrutura de LED, colocada no local em 2017, tornou-se conhecida entre os moradores e motoristas que circulam pela região.
Por trás do letreiro está Guilherme Teixeira Souza, de 40 anos, um luthier que decidiu criar um abaixo-assinado após receber uma notificação do condomínio solicitando que o equipamento fosse apagado.
A mobilização já reúne quase 2 mil assinaturas e pede que o letreiro seja reconhecido como patrimônio cultural de Belo Horizonte.
O que é um Luthier?
Guilherme é luthier, profissão especializada na construção, manutenção, restauração e regulagem de instrumentos musicais, principalmente os de cordas.
O trabalho combina conhecimentos de marcenaria, acústica, desenho, materiais e música. Dependendo da especialidade, o profissional pode construir instrumentos do zero ou fazer reparos e ajustes em peças já existentes.
Entre os instrumentos que podem passar pelas mãos de um luthier estão violões, guitarras, baixos, violinos, violas e outros instrumentos de cordas.
Por que o letreiro foi ameaçado?
Guilherme conta que precisou mudar o letreiro de janela porque deixou a sala comercial onde ele estava instalado. O novo espaço fica a aproximadamente seis metros do endereço anterior.
Segundo o luthier, o equipamento continua instalado na parte interna da janela.
“Eu precisei mudar porque o proprietário da sala pediu a sala”, explicou.
Em 10 de setembro, ele recebeu uma notificação do condomínio solicitando a remoção do LED. Segundo Guilherme, a justificativa apresentada seria de que o equipamento estaria sendo utilizado como publicidade.
Ele contesta a interpretação e afirma que o letreiro não tinha finalidade publicitária.
Abaixo-assinado pede reconhecimento como patrimônio cultural
Após a notificação, Guilherme criou uma campanha na internet para tentar manter o letreiro aceso. O abaixo-assinado pede que a estrutura seja reconhecida como patrimônio cultural de Belo Horizonte.
Nas redes sociais, usuários se manifestaram contra o desligamento do letreiro. "Primeiro o relógio do edifício JK, agora o letreiro do Guilherme. Estamos acabando com os ícones de BH", disse um internauta. "Esse letreiro me trás muitas lembranças que fizeram parte da minha vida, sempre que passo eu não deixo de olhar pra ele, fico triste pq é algo que me trás lembranças boas, ainda passo e um pedaço meu nunca morre", disse outro.
A Itatiaia procurou a Prefeitura de Belo Horizonte para saber se existe possibilidade de reconhecimento do letreiro como patrimônio cultural, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.
A administração do edifício também foi procurada e não havia se manifestado até o fechamento da matéria.
O abaixo-assinado está disponível na plataforma Change.org.
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.
Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo




