Laudo médico aponta câncer avançado em diarista que teve pedido de auxílio negado pelo INSS
O órgão informa que a trabalhadora não comprovou ter as contribuições necessárias para se classificar para o auxílio

Um laudo assinado por uma oncologista do hospital da Baleia, em Belo Horizonte, aponta a gravidade o câncer de mama da diarista Rosinéia Gonçalves Alvarenga, 58 anos. O documento foi apresentado ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mas o pedido de auxílio-doença foi indeferido. O drama de Rosinéia, moradora de BH, foi relevado no programa Itatiaia Agora. Nesta sexta (20), a Itatiaia teve acesso ao laudo médico.
“Trata-se de paciente com diagnostico de carcinoma ductal invasor da mama direita grau 3. Submetida no dia 04/07/24 a Setorectomia da mama direita (cirurgia que consiste na remoção de um setor do órgão) + setor agulhado (MCC)”, diz o documento.
“Iniciou tratamento quimioterápico com AC (07/10/24- 16/12/24 ), com proposta de iniciar segunda fase de quimioterapia com taxol dia 06/01/2025. Durante o tratamento, a paciente tem apresentado algumas toxicidades, por exemplo mucosite com necessidade de laserterapia e neutropenia”, informa o documento médico.

Mesmo com o laudo, com os exames e tendo passado por duas cirurgias, Rosinéia não conseguiu o auxílio-doença do INSS. Ela está sem trabalhar desde março e, atualmente, conta com ajuda de vizinhos, familiares e de pessoas para quem ele trabalhou ao longo de 30 anos.
“Quero um auxílio por um período, porque quero voltar a trabalhar. Não quero ser uma pessoa dependente do INSS. Quando for para aposentar, me aposento”, ressaltou a trabalhadora, que já passou por várias perícias. “Uns peritos barraram, mas os últimos foram bons. Um até falou: 'tenho um cunhado com câncer'. Ele pegou todos os documentos e marcou o retorno para junho. Mas o INSS barrou”, disse.
O que diz o INSS?
Em nota, o INSS informou que Rosinéia não tem direito ao Benefício de Prestação Continuada (BPC-LOAS), voltado para pessoas com deficiência ou idosos com mais de 65 anos, em situação de extrema vulnerabilidade social, e não exige contribuições previdenciárias prévias, mas sim a comprovação da condição de deficiência, pela Perícia Médica Federal, e da renda familiar por pessoa menor ou igual a 1/4 do salário mínimo vigente.
Sobre o pedido por incapacidade temporária, o INSS informou que ela não comprovou ter as contribuições necessárias quando do início da doença. À Itatiaia, Rosinéia revelou que contribuiu por quase 20 anos, ficou um período sem pagar, mas retomou as contribuições.
Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está como editor de Cidades, Brasil e Mundo.



