Justiça aceita denúncia contra bombeiro que matou PM em BH
Réu foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio triplamente qualificado e pelo crime de racismo

O bombeiro foi denunciado pelo MP por homicídio triplamente qualificado e pelo crime de racismo. Ele está preso em regime fechado em uma unidade do Corpo de Bombeiros desde o dia 26 de fevereiro.
Relembra o caso
Testemunhas informaram à Polícia Militar que os dois estavam bebendo juntos no bar quando o bombeiro questionou o policial penal sobre o motivo de ele estar armado, iniciando uma discussão.
O bombeiro deixou o estabelecimento para buscar um revólver em sua residência e, ao voltar, efetuou diversos disparos contra o policial penal. Após o ataque, ele fugiu do local em uma motocicleta.
O suspeito foi preso e o revólver calibre 38 foi apreendido pelas autoridades.
Racismo
Antes do ataque, Naire Assis Ribeiro teria denunciado a vítima, por meio do 190, alegando que havia um “negro haitiano” armado no bar na Região Leste de Belo Horizonte (MG) e solicitando o auxílio de uma viatura.
Na conversa, ele expressou a PM não conseguir acreditar que a vítima, um homem negro, poderia ser agente de segurança.
A PM não enviou uma equipe ao local e, pouco depois, o autor teria executado Wallysson.
Veja trechos da conversa com a polícia, por meio do 190:
- Naire: ‘eu sou subtenente, eu tô com uma pessoa aqui falando que é militar aqui, eu acho que ele é haitiano, se identificando como militar, eu queria é…’
- 190: ‘Mas o que ele está fazendo?’
- Naire: ‘se identificando como militar e ele não é militar’
- 190: ‘Entendi, mas e aí senhor? Ele está mostrando distintivo? Ele está cometendo algum crime? Ele está fazendo algum mal para as pessoas?’
- Naire: ‘Oh minha querida, ele tá identificando como militar e ele não é militar, entendeu?’
- 190: ‘Qual característica do indivíduo, senhor?’
- Naire: ‘É negro’
- 190: ‘A única característica que o senhor está me dizendo é que ele é negro?’
- Naire: ‘Lógico, ele é haitiano’
- 190: ‘Mas e aí senhor? Qual é o problema dele ser negro, haitiano? Eu não estou conseguindo entender’
Por fim, Naire voltou a afirmar que Wallysson não poderia ser policial e pediu para que uma viatura fosse até o local. A atendente disse que acionaria o supervisor.
Formado em Jornalismo pela UFMG, com passagens pelo jornal Estado de Minas/Portal Uai. Hoje, é repórter multimídia da Itatiaia.
Repórter policial e investigativo, apresentador do Itatiaia Patrulha.


