O aumento de casos de doenças respiratórias já pressiona unidades de saúde em Belo Horizonte e na Região Metropolitana. A situação preocupa familiares de pacientes e profissionais da saúde, especialmente diante da chegada de dias mais frios.
A filha de um paciente de 90 anos relatou apreensão ao ver o pai internado. “O hospital está superlotado. É preocupante em questão de vagas, principalmente para idoso e criança. Então a gente tem que prevenir mesmo, né? Pelo menos com a máscara. Tenho muito medo disso, principalmente por causa do meu pai”, disse Mércia dos Santos Borges da Silva.
Ela também descreveu o cenário dentro da unidade. “Tinha uma paciente muito congestionada, rouca. Vi também casos de pneumonia. As pessoas acham que é só uma gripe e demoram a procurar atendimento, mas tem que procurar sim”, afirmou.
Nas últimas semanas, unidades de saúde registraram aumento na procura por atendimento de pacientes com sintomas gripais, como febre, tosse, dor de garganta, coriza e mal-estar. Em alguns casos, há complicações, principalmente entre idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas.
Para ampliar a capacidade de atendimento, o Hospital Metropolitano Odilon Behrens, no bairro São Cristovão, na Região Noroeste da cidade, abriu cinco novos leitos de enfermaria pediátrica para reforçar o atendimento a crianças com doenças respiratórias na capital mineira. abriu novos leitos pediátricos, que podem chegar a 20, conforme a demanda.
Dados da unidade mostram que, entre fevereiro e março de 2026, as internações pediátricas aumentaram 29,5%, passando de 207 para 268. Só neste mês, já foram mais de 90 internações, e a tendência é de alta.
Segundo o infectologista Estevão Urbano, o período favorece a transmissão de vírus respiratórios.
“A queda das temperaturas faz com que as pessoas procurem locais fechados, o que aumenta a aglomeração e a chance de transmissão. Além disso, o frio pode reduzir as defesas das vias aéreas, favorecendo infecções”, explicou.
Ele reforça que a prevenção continua sendo fundamental. “As principais medidas são a vacinação, especialmente contra a gripe, a higiene frequente das mãos e o uso de máscara em locais fechados e aglomerados. Quem estiver com sintomas deve evitar sair de casa e procurar atendimento médico”, orientou.
O especialista também alerta para os riscos da automedicação. “No caso de antibióticos, muitas vezes não há bactéria envolvida, então não há efeito e ainda há risco de efeitos colaterais. O recomendado é manter hidratação, alimentação adequada e usar medicamentos simples para febre ou dor, até procurar um médico”, destacou.