Homem acusado de matar companheira em 2021 é julgado na Grande BH
Gustavo Mendes é acusado de matar a companheira, a advogada Fernanda Porto, durante uma briga do casal em 2021

Acontece nesta quinta-feira (12) o julgamento de Gustavo Mendes, acusado de matar a companheira, a advogada Fernanda Porto, de 27 anos, em outubro de 2021. O julgamento está marcado para começar às 9h30 no Fórum de Santa Luzia. O casal estava junto há 4 anos e, conforme familiares, tinha uma relação conturbada.
Fernanda chegou a dar entrada no hospital, alegando ter brigado com a irmã, mas morreu durante o atendimento. A Polícia Civil investigou o caso e apontou que a vítima tinha sido espancada pelo companheiro e não resistiu aos ferimentos.
Fernanda deixou duas crianças, um menino que hoje tem 4 anos e uma menina de quase 2 anos, que agora são cuidados pela avó materna, Valquíria Ribeiro dos Santos, que hoje luta por justiça.
“Eu tô a poder de remédio, porque vai ser difícil ficar frente a frente com ele. Na última audiência ele esteve lá e eu passei mal, mas agora não tem jeito. Não tem um dia que eu não chore, não tem um dia que eu não pense nela. Só quem passou por essa situação sabe entender o meu sentimento de mãe”, relata emocionada.
Feminicídio
Segundo Valquíria, Fernanda e Gustavo tinham um relacionamento conturbado e abusivo, e toda a família já havia aconselhado a vítima a largar o namorado. A mulher, entretanto, decidiu manter o relacionado devido aos filhos pequenos, e foi morta pelo companheiro após uma briga na casa do casal.
“Eu escutei a briga toda, mas como eu prometi para ela que eu não ia envolver mais nas brigas deles, eu não fiz nada. Mas eu passei mal aqui em casa, ligava para ela e ela não atendia. Quando foi de madrugada me chamaram no hospital. Já presenciei ele [Gustavo] cuspindo na cara dela, chamando ela de vagabunda, de advogada de porta de cadeia”, conta Valquíria.
Filhos ainda sofrem
Os dois filhos de Fernanda, de 5 e 2 anos, ainda sentem falta da mãe. Valquíria conta que Gabriel, o mais velho, ainda chora e chama por Fernanda, e tem muita curiosidade sobre tudo que aconteceu.
“Gabrielzinho fala cada coisa, tem dia que está muito agitado e toda vez ele chora, fala ‘eu quero minha mãe’, acorda falando que sonhou com a mãe dele. Ele já me abraçou e falou assim ‘vovó não vira estrelinha igual a mamãe não. Como que a gente não fica comovido?”.
Recado para as mulheres
Hoje, Valquíria diz que gostaria de ajudar outras mulheres que passam por relacionamentos abusivos, mas que ainda não tem forças para fazer um projeto. Ela conta que a filha era muito dependente do companheiro e chegou a se afastar de todos os amigos, que reprovaram a relação.
“Ela protegia ele de todas as formas que vocês imaginassem, tanto que julgou a culpa dos hematomas que ela tinha na irmã. Eu acredito, e a família e amigos também, que ele ameaçava ela de alguma forma, é sobrenatural a dependência que a Fernanda tinha dele”, conta a mãe da vítima.
O recado que ela passa para outras mulheres é que fiquem atentas aos primeiros sinais de um relacionamento abusivo e violento.
“Escutem os seus pais, escutem seus amigos. Primeiro começa com a agressão verbal, e depois a física. Quando chega a física, o resto você já está toda detonada. É um conselho de uma mãe que perdeu uma filha no auge de tudo”.
Amanda Antunes cursou jornalismo no Unileste (Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais), com graduação concluída na Faculdade Estácio, em Belo Horizonte. Em 2009, começou a estagiar na Rádio Itatiaia do Vale do Aço, fazendo a cobertura de cidades. Em 2012, chegou à Itatiaia Belo Horizonte. Na rádio de Minas, faz parte do time de cobertura policial - sua grande paixão - e integra a equipe do programa ‘Observatório Feminino’.