Greve na Fhemig chega ao 5º dia e Justiça determina suspensão do movimento
Sindicato afirma não ter sido notificado e mantém paralisação, que atinge hospitais de BH; decisão prevê multa diária de R$ 50 mil

A greve dos trabalhadores da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) chegou ao quinto dia neste sábado (21), com adesão de cerca de 80% da categoria, segundo o Sindpros e a Asthemg. Mesmo após decisão judicial que determina a suspensão do movimento, a paralisação continua, já que a entidade afirma ainda não ter sido oficialmente notificada.
A mobilização teve início na última segunda-feira (17), após assembleia que decidiu pela paralisação por tempo indeterminado, diante da falta de avanço nas negociações com o governo estadual . Entre as principais reivindicações estão reajuste salarial, pagamento de benefícios e mudanças administrativas na rede.
De acordo com o sindicato, a greve atinge os principais hospitais da Fhemig em Belo Horizonte e na Região Metropolitana. Apesar disso, os atendimentos de urgência e emergência seguem mantidos, com escala mínima de funcionamento.
Diante do impasse, o Governo de Minas acionou a Justiça, que concedeu liminar determinando a suspensão imediata da greve. Na decisão, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) apontou risco de prejuízos à população, destacando o “perigo de dano grave à comunidade” e o impacto na prestação de serviços essenciais de saúde .
O desembargador responsável pelo caso também fixou multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento, limitada a R$ 1 milhão. A decisão leva em conta que a paralisação pode comprometer o atendimento hospitalar, considerado serviço essencial, especialmente para a população mais vulnerável.
Mesmo com a determinação judicial, o sindicato mantém a posição de continuidade do movimento até que haja notificação oficial e avanço nas negociações com o governo.
A greve é em toda a rede, que possui mais de 13 mil profissionais em 15 unidades assistenciais. Os locais mais afetados são:
- Hospital Pronto Socorro João XXIII;
- Maternidade Odete Valadares;
- Hospital Infantil João Paulo II;
- Hospital Alberto Cavalcanti;
- Hospital Júlia Kubitschek;
- Hospital Eduardo De Menezes;
- Instituto Raul Soares – Psiquiátrico
De acordo com o Sindpros e a Asthemg, os trabalhadores vão manter uma escala mínima, com objetivo de garantir a prestação de serviços e cuidados a todos os pacientes. Os profissionais alegam que o Governo de Minas Gerais não apresentou soluções para os problemas apontados pelos servidores, como:
- Reajuste salarial abaixo da inflação;
- Descontos indevidos nos salários;
- Retirada e sonegação de direitos trabalhistas;
- Graves riscos à assistência aos pacientes devido a medidas administrativas da gestão;
- Descumprimento de acordo;
- Falta de propostas e respostas efetivas por parte da Fhemig/Seplag.
50 cirurgias foram adiadas
Até essa sexta-feira (20), cinquenta cirurgias foram adiadas em meio à greve. O dado foi divulgado pelo secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Fábio Baccheretti.
Em entrevista ao Itatiaia Agora, Baccheretti confirmou que os procedimentos foram suspensos na última quarta-feira (18). Para ele, a paralisação está "afetando diretamente a assistência não só eletiva, mas de urgência e emergência também". "Não cabe a gente fazer uma greve e quem sofrer, de fato, é o paciente que está esperando", ressaltou.
Bacheretti ainda disse acreditar que o fim da paralisação deve ser determinado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) ainda nesta quinta (19). Ele diz que a demanda de aumento salarial, um dos fatores que motivou a greve, é justa, mas também afirma que a greve não pode "refletir na vida das pessoas".
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.