Garis de Belo Horizonte decidiram, nesta quarta-feira (21), encerrar a paralisação que já durava três dias na capital mineira. A paralisação era feita por trabalhadores da empresa Sistemma, que presta serviços de coleta domiciliar para a prefeitura e tem aproximadamente 220 funcionários.
A decisão de encerrar a greve foi tomada nesta quarta durante encontro que reuniu o sindicato da categoria, representantes da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), da empresa Sistemma e do Ministério Público do Trabalho.
O superintendente regional do trabalho em Minas Gerais, Carlos Calazans, citou detalhes do acordo. “As equipes com quatro coletores vão passar a trabalhar de forma regular, então a empresa vai viabilizar o complemento das equipes que colhem o lixo. Antigamente essas equipes estavam reduzidas e agora vão ter a equipe completa. O vale alimentação passa a ser pago no primeiro dia útil de cada mês, haverá a regularização do fundo de garantia, pagamento de vale transporte e manutenção dos caminhões”.
As regiões Noroeste, Leste e Nordeste foram as mais afetadas pela paralisação, segundo relatos de moradores. Na terça-feira (20), foram recolhidos cerca de 30% do volume de resíduos normalmente coletado em dias regulares.
Em nota divulgada mais cedo, a Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) informou que a coleta domiciliar nas áreas citadas acima estava sendo realizada nesta quarta-feira (21) por 350 garis e 50 caminhões, sendo 41 caminhões basculantes e nove compactadores, conforme o plano de contingência colocado em prática pela SLU desde terça-feira (20), em razão da paralisação dos garis.
A medida teve como objetivo minimizar os impactos do movimento na prestação do serviço à população.
Reivindicações
Além disso, a categoria também pedia plano de saúde, regularização de direitos trabalhistas e o fim da sobrecarga de serviço.
A expectativa é de que os trabalhadores retornem ao trabalho nesta quinta-feira (22).
O que dizia a PBH
A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou, durante a paralisação dos garis, que não havia atraso nos repasses às empresas responsáveis pela coleta de lixo.
Em nota, a empresa Sistemma afirmou que foi surpreendida pela paralisação, disse que não recebeu comunicação prévia nem pauta formal de reivindicações e considerava o movimento irregular, acrescentando que reorganizou as rotas de forma emergencial.
Lixo acumulado pela cidade
Nesta manhã, a reportagem da Itatiaia esteve no bairro Padre Eustáquio, na região Noroeste da cidade. Por volta das 6h30, a Rua Padre Eustáquio já apresentava grande acúmulo de lixo, espalhado pelas calçadas e próximo a residências e comércios. Em um percurso feito também pelas ruas Pará de Minas e Itajubá, a situação se repetia, com sacos e resíduos acumulados em vários pontos.
Diante da paralisação, alguns moradores relataram que têm optado por manter o lixo dentro de casa, embalando os resíduos de forma mais reforçada para tentar conter o odor. Ainda assim, o mau cheiro já é perceptível, principalmente nas primeiras horas da manhã.
Além da região Noroeste, moradores das regiões Nordeste e Leste também relataram problemas com a coleta. Há registros de acúmulo de lixo em bairros como São Geraldo, Coração Eucarístico, João Pinheiro, Dona Clara, São Gabriel, Padre Eustáquio e Magnólia.
Em alguns pontos, o volume de resíduos ocupa completamente as calçadas, o que obriga pedestres a caminhar pela rua, aumentando o risco de acidentes e atropelamentos. Moradores relatam ainda que catadores rasgam sacos em busca de recicláveis, espalhando ainda mais o lixo.
“Realmente essa situação dos garis está complicada. Não estou reclamando em relação a salário, mas os catadores resgatam lixo e acabam espalhando mais. Tem muito lixo espalhado na região toda, praticamente todas as ruas estão assim”, disse Faustro Silveiro, morador da região.