Gari morto em BH: delegada pode ser demitida após abertura de processo disciplinar na PCMG
A Corregedoria abriu Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra Ana Paula Balbina, esposa de Renê da Silva Nogueira Júnior, réu no caso da morte do gari Laudemir de Souza Fernandes, em Belo Horizonte

A Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) abriu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra a delegada Ana Paula Balbina, esposa de Renê da Silva Nogueira Júnior, que se tornou réu pela morte do gari Laudemir de Souza Fernandes. A decisão foi publicada no Diário Oficial desta quinta-feira (23) e pode levar à demissão da servidora.
Segundo os documentos, ela é investigada por supostas faltas graves previstas na Lei Estadual nº 5.406/69, como desrespeito a normas éticas, leis e possível abuso da função policial.
A apuração também cita possíveis falhas no exercício do cargo, como negligência na guarda de objetos sob sua responsabilidade, descumprimento de missões e prática de atos considerados irregulares.
A portaria menciona que, em casos desse tipo, a punição pode chegar à demissão “a bem do serviço público”, aplicada quando há crimes contra a administração ou condutas incompatíveis com a função policial.
Para conduzir o processo, a corregedora-geral Elizabeth de Freitas Assis Rocha designou uma comissão formada por três delegados da própria Corregedoria. O grupo é presidido por Rodrigo Baptista Damiano e tem como membros Karla Silveira Marques Hermont e Daniel de Andrade Ribeiro Teixeira.
O processo seguirá os procedimentos legais e garante o direito de defesa da servidora enquanto as denúncias são apuradas. Ana Paula Balbina já acumula 10 meses de afastamento por atestado médico.
Indiciada por prevaricação e por permitir o uso de sua arma
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) decidiu não denunciar a delegada Ana Paula. Ela havia sido indiciada por prevaricação e por permitir o uso de sua arma no crime. O órgão entendeu que não há elementos suficientes para denúncia, já que as penas previstas são inferiores a quatro anos e não envolvem crimes com violência.
Por isso, o MPMG encaminhou à Justiça a proposta de um acordo de não persecução penal, com o processo dela sendo desmembrado do marido. Além disso, o Ministério Público solicitou que a Justiça avalie o pagamento de uma indenização de, no mínimo, R$ 150 mil à família de Laudemir.
O crime
Laudemir foi morto com um tiro no abdômen na manhã do dia 11 de agosto, no bairro Vista Alegre, Região Oeste de Belo Horizonte. A vítima chegou a ser socorrida por populares, mas não resistiu.
O gari trabalhava na coleta de lixo quando Renê Júnior, que dirigia um carro modelo BYD de cor cinza, no sentido contrário, se irritou, alegando que o veículo atrapalhava o trânsito.
Armado, Renê apontou a arma para a motorista do caminhão e ameaçou atirar no rosto dela. Em seguida, ultrapassou o veículo, desceu do carro com a arma em punho, deixou o carregador cair, recolocou-o e efetuou o disparo contra o trabalhador.
O tiro atingiu a região das costelas do lado direito, atravessou o corpo e se alojou no antebraço esquerdo. Renê foi preso horas depois, ao chegar a uma academia de alto padrão na região Oeste de Belo Horizonte.
Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.
Repórter policial e investigativo, apresentador do Itatiaia Patrulha.




