As chuvas que atingiram a cidade de Ubá, na Zona da Mata Mineira, durante a madrugada dessa segunda-feira (23), causaram destruição em diversas casas e estabelecimentos na região. Um dos locais afetados foi a academia de crossfit de Pablo Massardi Demartini.
O empresário é filho de Paschoal Demartini, que morreu em janeiro de 2020, vítima do “Caso Backer”. Ele passou mal após consumir a cerveja Belorizontina durante uma festa em família. Paschoal foi internado na Santa Casa de Misericórdia, em Juiz de Fora, mas não resistiu e morreu no dia 7 de janeiro daquele ano.
"É um pedaço do meu pai aqui pra mim, sabe? Um pouquinho que ele deixou. A academia é muito importante emocionalmente. Não quero perder esse pedaço dele agora”, desabafou Pablo em entrevista a Itatiaia.
O espaço foi construído pelo empresário com a ajuda financeira do pai, que havia deixado uma quantia em dinheiro para ele antes de falecer. “Quando eu abri o Black Bull, meu pai faleceu. Antes disso, ele deixou um dinheirinho para mim e juntei com o dinheiro que eu já tinha. Só assim eu consegui montar a academia”, completou.
O atleta comanda a academia ao lado da esposa, Maressa Diniz, e relembra que, anos atrás, quando pensou em fechar o crossfit, foi ela quem entrou na sociedade e ajudou a manter o negócio de pé. Mais do que um empreendimento, o espaço carrega a memória do pai e concentra momentos decisivos na vida de Pablo.
“Nós já nos conhecíamos antes da academia, mas, quando eu estava decidido a fechar o box, ela entrou na sociedade. Foi ali que começamos a ficar, depois a namorar. Nos casamos, e hoje ela está grávida. A academia faz parte da nossa história. Tudo aconteceu ali dentro: nossa despedida de solteiro, nosso chá revelação. Se não fosse por ela, eu já teria fechado o Black Bull. O box é muito importante para a gente”, relembrou.
Os prejuízos da chuva
De acordo com o proprietário da academia, parte dos equipamentos e do mobiliário que estavam no espaço foram levados pela enxurrada. O local ficou inundado durante o temporal.
“O nosso bebedouro saiu pela porta, não sei onde está. O freezer saiu pela porta, não sei onde está. Os móveis da recepção saíram pela porta e eu não sei onde estão. O remo saiu pela porta, eu não sei para onde foi, as bolas, os halteres, os colchonetes, algumas placas, anilhas. Tudo saiu pela porta, eu não sei para onde foi. Eu perdi mesmo, perdi”, destacou.
Os itens que sobraram estão sendo recuperados pelo empresário e a esposa com a ajuda de amigos e alunos da academia. “O que ficou, as barras e o piso, a gente está tentando restaurar para não ter um prejuízo maior. Eu não consigo nem consertar o remo, eu não consigo nem lavar as bolas, lavar os colchonetes, não sei para onde eles foram”, acrescentou.
Em imagens enviadas à Itatiaia, é possível ver também que um buraco foi aberto no muro lateral da academia. Toda a estrutura do espaço foi comprometida pela tragédia. Pablo conseguiu recuperar alguns troféus conquistados por sua equipe. Os prêmios ficaram encostados contra a parede e acabaram não sendo levados pela água da chuva.
Vídeo: academia de crossfit fica destruída após tragédia em Ubá (MG)
— Itatiaia (@itatiaia) February 26, 2026
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🎥Imagens cedidas à Itatiaia pic.twitter.com/0c7U7GFleV
Relação com a comunidade
De acordo com o empresário, a academia foi pioneira no crossfit em Ubá. Atualmente, outros espaços que oferecem a modalidade na cidade pertencem aos seus ex-alunos.
“A nossa história é um de uma comunidade muito unida. Os alunos são muito engajados com a gente. Eles falaram ‘vocês perderam tudo, mas vocês não perderam a gente’. Isso foi de uma forma tão profunda que fez eu me manter de pé e correr atrás de conseguir reerguer”, finalizou Pablo.
Chuvas em Ubá
O Rio Ubá subiu 8 metros entre segunda (23) e quarta-feira (24), provocou uma grande enchente e gerou prejuízos materiais em toda a cidade.
Segundo a Prefeitura, o município registrou aproximadamente 170 milímetros de chuva em cerca de três horas. O volume provocou a maior inundação dos últimos anos, o que levou a administração a decretar estado de calamidade pública.
Relembre o “Caso Backer”
No início de 2020, pessoas que consumiram uma linha de produtos da cervejaria Backer precisaram ser hospitalizadas. Após investigações, foi descoberto que as bebidas estavam contaminadas com uma substância conhecida como dietilenoglicol.
As vítimas tiveram reações como dores abdominais, náuseas, vômitos, insuficiência renal e problemas neurológicos, como perda de visão e paralisia facial. Ao todo, dez pessoas morreram e pelo menos 19 ficaram com sequelas permanentes.