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Filho de delegado aposentado morto em MG detalha crime e faz desabafo: 'partiu de forma cruel'

Ex-policial expulso da corporação há 18 anos é o principal suspeito; crime ocorreu na última quarta-feira (22) em Sete Lagoas

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Criminoso ateia fogo em casa e mata delegado aposentado em Sete Lagoas (MG) • Imagens cedidas à Itatiaia

O filho do delegado aposentado Hudson Maldonado Gama, de 86 anos, queimado vivo em Sete Lagoas, na região Central de Minas Gerais, publicou, nessa quinta-feira (23), um vídeo nas redes sociais. Ele, que tem o mesmo nome que o pai e também é delegado, desabafou: '"Meu pai partiu de uma forma cruel."' Um ex-policial expulso da corporação há 18 anos é o principal suspeito e, até o momento, ele não foi preso e continua sendo procurado.

Hudson detalhou o crime e disse que o pai foi esfaqueado antes da casa ser tomada pelo fogo. "Ele aguardou 18 anos e foi então à procura do meu pai, um homem idoso de 86 anos, já vítima de dois AVCs inválido que ficava sobre uma cama imóvel magro e praticou a barbárie. Ele matou meu pai a golpes de faca, o enrolou no colchão e ateou o fogo".

Ele ainda explicou a denuncia feita pelo pai." Na verdade, ele (o suspeito) é um ex-policial civil que, em 2006, foi expulso da gloriosa Polícia Civil de Minas Gerais em razão de corrupção. Essa expulsão se deu após uma senhora procurar o meu pai para atuar em sua defesa, pois estava sendo extorquida. (Ela estava sendo) vítima de extorsão praticada por esse então policial civil. Meu pai, já como advogado, produziu as provas, apresentou à corregedoria, o que ocasionou a demissão, a expulsão deste criminoso que, à época, ainda era policial civil."

Nessa quinta (23), a PC confirmou que o homem foi identificado. Vingança já é a principal linha de investigação. "A suposta motivação do crime seria sua exclusão do quadro da instituição por meio de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) face à prática de transgressão disciplinar de natureza grave, tendo em vista que a vítima participou do procedimento à época”, informou por meio de nota.

O crime

De acordo com o registro, o homem chegou na residência, que fica na avenida Irmã Flávia, no bairro CDI II, dizendo que ia fazer uma entrega. "Por volta das 11 horas, um indivíduo interfonou apresentando-se como entregador da farmácia e que teria uma encomenda para o dr. Hudson, que relutou a abrir o portão", disse o boletim.

A cuidadora contou à polícia que, ao atender, foi ameaçada com os seguintes dizeres: "abre aqui se não vou te matar". Com medo, ela abriu o portão. Depois, o autor ainda acrescentou: "meu problema não é com você, sai daqui, meu problema é com ele que esta me devendo tem 18 anos." Nesse momento, a testemunha fugiu para pedir socorro. Após invadir o imóvel, o criminoso ateou fogo no quarto onde estava o policial aposentado.

Hudson estava com a saúde debilitada em função de um AVC, que teve há seis meses, por isso não conseguiu sair e morreu carbonizado.

A perícia e uma equipe de policiais compareceram ao local para identificar e coletar vestígios. "O corpo da vítima foi encaminhado ao Posto Médico-Legal (IML) do município, onde passou por exame de necropsia e, em seguida, foi liberado aos familiares", disse a PC.

Suspeito identificado

A cuidadora do idoso, que foi abordada pelo criminoso, relatou que ele era um homem de 40 anos, pardo, aproximadamente 1,80 metros, que vestia um possível colete preto com alças e capacete.

Segundo o boletim de ocorrência, a polícia teve acesso às imagens do sistema de monitoramento da casa e, após visualização do vídeo, “alguns policiais alegaram que o autor se parecia muito com o suspeito. Insta informar que o referido suspeito fez parte das fileiras da polícia civil o qual foi excluído há aproximadamente 18 anos.” Diante disso, policiais mostraram a fotografia do suspeito à testemunha, que identificou o suspeito de imediato.

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Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.