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Família pede liberdade para mestre de obras acusado de matar homem em Sabará

De acordo com a denúncia do MPMG, Fernando teria sido contratado por Geraldo Paulo de Oliveira, para matar Hamilton Silveira da Silva de 40 anos

Por e 
A família de Fernando Luiz Machado, de 42 anos, realizou uma manifestação pedindo liberdade • Imagens cedidas

A família de Fernando Luiz Machado, de 42 anos, realizou uma manifestação pedindo liberdade para o mestre de obras que, segundo amigos e vizinhos, é inocente. Ele foi condenado, em abril deste ano, a 18 anos de prisão por matar a tiros Hamilton Silveira da Silva, de 40 anos, no bairro Córrego da Ilha, em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

“Justiça por Fernando. Preso injustamente. Trabalhador e que sempre ajudou tot mundo. Queremos justiça, queremos liberdade”, diz a placa usada pelos familiares em frente ao fórum de Sabará. 

“Todos os funcionários dele trabalhavam vendendo drogas, ele tirou todos desse mundo. Agora a equipe está parada sem emprego” disse a filha de Fernando, Jennifer da Silva, de 26, em entrevista à Itatiaia.

O advogado de defesa de Fernando, Matheus Augusto Almeida, declarou em nota que, desde o dia dos fatos, o mestre de obras se declara inocente.  De acordo com a defesa, não existe prova de autoria ou participação de Fernando no fato, motivo pelo qual recorre da sentença.

"O Fernando é muito querido na região. Ajuda muita gente, organiza eventos para as crianças, sempre trabalhou formalmente", declarou.

Ainda de acordo com o advogado, no dia dos fatos, o próprio Fernando solicitou que fosse feito exame residuográfico, mas não foi feito.

"É um caso típico em que primeiro se fixa um culpado e depois busca provas", disse.

"Em relação ao estado de liberdade do Fernando, entendemos que a prisão não se justifica, e que foi determinada de forma dissociada do Tema 1.068 do STF, aguardar decisão do TJMG”, finaliza a nota.

TJMG se posiciona

Leia nota do Tribunal de Justiça de Minas Gerais enviada à Itatiaia:

"Em sessão do Tribunal do Júri de Sabará realizada em 28 de abril de 2026, o Conselho de Sentença, em observância ao princípio constitucional da soberania dos veredictos, acolheu a tese sustentada pelo Ministério Público e reconheceu a responsabilidade penal do réu Fernando Luiz Machado pela prática do crime de homicídio triplamente qualificado, previsto no art. 121, § 2º, incisos I, II e IV, do Código Penal, em relação a fatos ocorridos em outubro de 2021.

Em decorrência da condenação, foi fixada pena definitiva de 18 (dezoito) anos e 08 (oito) meses de reclusão, a ser cumprida, inicialmente, em regime fechado.

Nos termos do art. 492, inciso I, alínea “e”, do Código de Processo Penal, e em consonância com o entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal no Tema 1.068, foi determinada a execução provisória da pena, com a consequente expedição de mandado de prisão em desfavor do sentenciado.

Atualmente, o feito encontra-se em tramitação perante o Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, para julgamento do recurso de apelação interposto pela defesa."

Entenda o caso

À esquerda, foto da vítima do crime, Hamilton Silveira da Silva. À direita, imagem de uma das propriedades da vítima • Imagens cedidas à Itatiaia | Reprodução/ Google Maps
À esquerda, foto da vítima do crime, Hamilton Silveira da Silva. À direita, imagem de uma das propriedades da vítima • Imagens cedidas à Itatiaia | Reprodução/ Google Maps

Fernando Luiz Machado é acusado de matar a tiros Hamilton Silveira da Silva, de 40 anos. O crime ocorreu em outubro de 2021, no bairro Córrego da Ilha, no mesmo município. 

De acordo com a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Fernando teria sido contratado por Geraldo Paulo de Oliveira, cunhado da vítima, para cometer o homicídio.

Geraldo Paulo de Oliveira já foi julgado e condenado a mais de 15 anos de prisão, em 2024. 

A motivação seria uma disputa por herança. Segundo as investigações, o assassinato teria como objetivo garantir ao mandante a posse de bens da vítima, incluindo um imóvel.

O homem foi morto com três tiros nas costas enquanto dormia. O cunhado foi preso horas depois e confessou que mandou matar o cunhado para ficar com uma herança que, com a morte da vítima, seria repassada para a sua esposa. Entre os itens estavam um bar e a casa onde Hamilton morava. 

 

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego & Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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Formado em jornalismo pela PUC Minas, foi produtor do Itatiaia Patrulha e hoje é repórter policial e de cidades na Itatiaia. Também passou pelo caderno de política e economia do Jornal Estado de Minas.