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Ex-diarista abre cantina na entrada do Aglomerado da Serra e vende mais de 2,5 mil marmitas por mês

Marilda Martins começou vendendo três marmitas por dia na comunidade Novo São Lucas

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Marilda conquistou diferentes paladares com seu tempero caseiro  • Naice Dias/ Itatiaia

A ex-diarista Marilda Martins Silva, de 62 anos, não imaginava que o prazer em cozinhar para os filhos e nas casas que limpava mudaria sua vida e a de toda família. Há onze anos, ela trocou as faxinas pelo tempero, abriu a Cantina da Marilda na rua Pouso Alto, na entrada do Aglomerado da Serra, região Centro-Sul de Belo Horizonte, conquistou muitos clientes fiéis e, atualmente, vende 2,5 mil marmitas por mês a preço acessível: R$ 13 e R$ 16.

A história da Cantina da Marilda ilustra a quarta matéria da série Marmiteiros, iniciativa da Itatiaia sobre pessoas que produzem vários tipos de marmitas e vendem a preço acessível.

A mudança de sua trajetória começou quando decidiu ajudar um dos cinco filhos. Ele tinha uma lanchonete no Novo São Lucas, cursava direito e ainda trabalhava como taxista. Como estava difícil conciliar as três atividades, decidiu fechar a lanchonete. Marilda não deixou e assumiu o negócio.

Começava ali a virada na vida da ex-diarista, que transformou a lanchonete em cozinha e começou a vender as marmitas. No início, eram três por dia. Após algum tempo, ela se mudou para o novo endereço. Com onze anos de estrada, o negócio tem feito sucesso. “Hoje, vendo umas, 100, 120 marmitas por dia, sem contar o prato feito”, comemora a cozinheira.


Feijoada está entre as marmitas mais vendidas

Segundo Marilda, o empreendimento transformou sua condição financeira. “Hoje tenho condição de ter uma vida mais confortável. Trabalho muito, de segunda a segunda, mas o lado bom é o conforto. A comida me trouxe uma condição melhor, de sair da favela e morar dentro do bairro. Também ajudo meus filhos, na medida do possível, com o dinheiro do trabalho aqui da cantina”, diz.

O sucesso do negócio gera emprego: Marilda tem cinco funcionários. “Nunca imaginei que chegaria até aqui. O princípio foi muito difícil mas, graças a Deus, emprego duas pessoas, tenho dois motoboys exclusivos e a minha filha, que trabalha comigo”, conta. “É muita gratidão. A palavra certa é essa: gratidão. Pensei até em desistir, mas Deus é muito bom e até hoje estou aqui firme e forte.

Segredo de mãe

Ana Luísa é braço direito na mãe na cantina Braço direito da mãe, Ana Luísa Martins, de 24 anos, revela o segredo do tempero da matriarca. “É o alho. Ele sempre usou muito alho. Não tem tempero de supermercado. É raiz, com alho e sal”, diz a filha.

Mas a verdade é que há outros segredos, além do tempero. "Ela faz tudo com muito amor, carinho e é muito perfeccionista”, conta. “A gente sabe que foi muito difícil no começo, mas com a persistência dela, que não quis desistir, chegamos até aqui, graças a Deus. Hoje temos uma vida mais estável, conseguimos equilibrar mais as coisas e temos acesso a coisas que a gente não tinha antes, graças ao tempero da Marilda”, diz.

Tempero aprovado

Bombeiro hidráulico, Rogério Almeida, 26 anos, é morador do bairro Palmital, em Santa Luzia, e trabalha na construção de um prédio no bairro Serra. Ele diz que foi conquistado pelo sabor da comida da Marilda. “É um tempero muito bom, caseiro. Lembra o tempero de vó. Uma comidinha feita com amor, que a gente sabe que é boa. É um tempero que lembra a infância da gente", diz o trabalhador, que elege a feijoada e o frango com quiabo como os mais gostosos.

“A feijoada dela tem tudo que a gente gosta: pezinho, orelha. É a feijoada raiz, de que o mineiro gosta. O frango com quiabo é o melhor da região. É saboroso, não é aquele frango seco", garante Rogério.

O motoboy Daniel Rodrigues, de 22 anos, faz entrega de marmitas e diz que a clientela é variada e de vários bairros. "Já entreguei marmita no Milionários, no Barreiro, na região da Cabana Pai Tomás. A taxa do frete é só detalhe. O que manda é o gosto e qualidade. Quando o produto é bom e a qualidade é boa, nego nem olha o preço. Paga rindo!".

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Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está como editor de Cidades, Brasil e Mundo.