Belo Horizonte
Itatiaia

'Eu estava dormindo em casa', afirma réu da chacina de Neves antes de julgamento

Fabiano Alves Campos nega ter dirigido carro usado no ataque e diz que acusação é fruto de erro e manipulação; o crime, ocorrido em maio de 2024, deixou três mortos

Por e 
Flávio Celso da Silva, Fabiano Alves Campos, Leandro Roberto da Silva, Marcelo Alves Rodrigues e Agnes Darnlei Santos Nascimento
Flávio Celso da Silva, Fabiano Alves Campos, Leandro Roberto da Silva, Marcelo Alves Rodrigues e Agnes Darnlei Santos Nascimento • Divulgação

O julgamento de sete dos oito réus acusados de envolvimento na chamada “Chacina de Neves” está marcado para começar na manhã desta segunda-feira (13), no Fórum de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O crime, ocorrido em maio de 2024, deixou três mortos — entre eles duas crianças — durante uma festa de aniversário no bairro Areias e gerou grande comoção no estado.

Entre os acusados está Fabiano Alves Campos, que responde por suspeita de prestar apoio logístico. Ele chegou ao fórum conversando com a imprensa e negou qualquer participação no crime.

“O que eu posso alegar é a minha própria condição física. Eu não tenho a perna direita. Fui acusado de ter dirigido um carro para bandidos fazerem o que fizeram lá. Eu sou um trabalhador, sempre fui. (...) eu vou provar minha inocência, porque eu não tenho nada a ver. Eu estava em casa dormindo e provei isso por vídeo”, afirmou.

Fabiano também relatou que ficou preso por seis meses e classificou a situação como uma injustiça que afetou profundamente sua vida.

“Fiquei seis meses preso injustamente. Paguei por uma coisa que nem passa na minha cabeça de fazer. Sou um cara trabalhador, justo e honesto. Passei coisas terríveis na cadeia, sendo que eu nem devia. Acabou com a minha vida praticamente”, disse.

O réu também afirmou que conhece os envolvidos no caso. “É todo mundo muito próximo, mas esse envolvimento deles com tráfico, com guerra de droga, eu não tinha conhecimento. Eu não era disso. Acho que me envolveram por causa do meu irmão”, completou.

A sessão do Tribunal do Júri deve se estender por pelo menos três dias, devido à complexidade do caso e ao número de acusados. O crime ocorreu durante a festa de aniversário de 9 anos de Heitor Felipe, que sonhava em ser jogador de futebol.

Além dele, também morreram a prima, de 11 anos, e o pai do menino, apontado como alvo dos criminosos.

As investigações indicam que o ataque foi motivado por disputas ligadas ao tráfico de drogas na região e teria como objetivo atingir rivais, mas acabou vitimando pessoas que não tinham relação direta com o conflito.

Por

Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é "cria" da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.

Por

Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.