Estudante de medicina da UFMG desiste de candidatura à presidência do Congo
O congolês Louison Mbombo já recebeu diversos prêmios por sua pesquisa e trabalho pela erradicação da malária na África Central

O aluno de medicina Louison Mbombo, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), desistiu da candidatura à presidência da República Democrática do Congo (RDC), na África Central. A informação foi confirmada por meio de um post nas redes sociais do jovem. As eleições ocorrem nesta quarta-feira (20).
Mbombo tomou essa decisão devido um projeto nos Estados Unidos que atua como auditor. Caso fosse eleito, restrições legais impediriam que ele assumisse o cargo.
"É com um misto de decepção e responsabilidade que estou falando com você hoje. Como muitos de vocês sabem, The U.S. Foreign Corrupt impõe diretrizes rígidas a representantes de empresas americanas, proibindo-os de ocupar simultaneamente cargos funcionários nos respectivos países que servem. À luz desse quadro jurídico e a fim de manter os mais elevados padrões de integridade, tomei a iniciativa difícil de retirar-me da corrida", disse por meio de nota.
Trajetória acadêmica, pessoal e profissional
Louison Mbombo se mudou para o Brasil em 2013, devido a uma instabilidade política no Congo. Durante seu tempo em território brasileiro, ele criou a ONG Solidariedade na Mokili, que trabalha no combate à malária e melhoria da condição de vida dos congoleses. Em 2015 ele ingressou no curso de medicina na UFMG, seguindo os passos do pai, que foi dono de um hospital no Congo. Neste ano Mbombo passou a integrar a lista da União Europeia dos 15 jovens líderes mais influentes do mundo.
Quatro anos depois, Mbombo recebeu o prêmio de Melhor Inovação Humanitária 2019 da The Dutch Coalition for Humanitarian Innovation (DCHI), por seus trabalhos em busca da erradicação da malária no Congo. Em sua pesquisa, o estudante usou ferramentas de inteligência artificial da Microsoft e do Google, desenvolvendo um software de análise e apresentação de dados sobre a doença no país.
A pesquisa da Mbombo ajudou a criar políticas públicas de prevenção de surtos e elaboração de estratégias de intervenção contra a Malária, doença que afeta mais de 25 milhões de pessoas no Congo.
*com informações da repórter Mariana Cavalcanti
Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.
