Escola de BH suspende parte das atividades por greve dos professores da rede particular
Unidade manterá portas abertas para atividades alternativas, enquanto greve por tempo indeterminado reflete impasse entre docentes e patronal

O Colégio Magnum Agostiniano, escola da rede particular de Belo Horizonte, comunicou às famílias que suspenderá as aulas regulares e avaliações formais a partir desta quinta-feira (17). A medida decorre da adesão de educadores da instituição à greve por tempo indeterminado deflagrada pelos professores da rede particular de ensino de Belo Horizonte. Em comunicado assinado, a direção informou que acolhe e reconhece como legítimas as reivindicações dos docentes por melhores condições de trabalho e carreira.
Apesar da suspensão das aulas tradicionais, a unidade informou que manterá as portas abertas no horário habitual. Para os estudantes que comparecerem, a equipe organizará atividades educativas alternativas.
Impasse e retrospecto da mobilização
O fechamento parcial de atividades na escola ocorre após a aprovação da greve em assembleia realizada pelo Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro Minas) no dia 10 de setembro. A paralisação efetiva teve início com um protesto na quarta-feira (16), quando uma nova assembleia ratificou o início da greve por tempo indeterminado.
O centro da disputa está na proposta dos proprietários de instituições de ensino de fatiar a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) em dois instrumentos separados, um destinado à Educação Básica e outro ao Ensino Superior. A categoria rejeita a divisão e exige a manutenção da convenção unificada atual, além de reivindicar um reajuste salarial de 3,77%, valor correspondente ao reposicionamento pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
“Desde o início a categoria tem se mostrado aberta ao diálogo. Tanto é que os docentes propuseram renovar a Convenção atual, sem alterações, no entanto aceitaram criar um cronograma para discutir o tema, mesmo sabendo dos riscos que ele representa. Mas o patronal não quer negociar. Eles querem impor essa condição, que é extremamente prejudicial à categoria”, afirmou Valéria Morato, presidenta do Sinpro Minas.
As negociações entre as partes foram judicializadas e tramitam na Justiça do Trabalho. Segundo o Sinpro Minas, a negociação travou porque o sindicato patronal condiciona o acordo salarial à divisão dos contratos coletivos das etapas de ensino.
SinepeMG agradece escolas que não fecharam
Enquanto os professores ampliam a paralisação em colégios, o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (SinepeMG) divulgou nota de agradecimento aos estabelecimentos que mantiveram o funcionamento no primeiro dia de mobilização (16).
De acordo com a entidade patronal, das cerca de 4.200 escolas privadas mapeadas no estado, apenas seis unidades registraram transtornos operacionais em Belo Horizonte.
Veja a nota na íntegra:
"A escola permaneceu aberta. Os professores permaneceram em seus postos. E a educação não parou. O SinepeMG agradece a professores, diretores, gestores, educadores, pais e responsáveis que, nesta quarta-feira, mantiveram as escolas particulares mineiras abertas e garantiram a continuidade das atividades educacionais.
Um agradecimento especial aos professores que permaneceram em sala de aula, assegurando aos alunos o atendimento a que têm direito, e aos pais e responsáveis que compreenderam que a escola particular mineira não deve ser palco de disputa política.
Os números confirmam a força desse movimento: das aproximadamente 4.200 escolas particulares de Minas Gerais, só em seis unidades de Belo Horizonte houve registro de dificuldades no atendimento às famílias.
O SinepeMG segue de portas abertas para o diálogo e para a negociação da Convenção Coletiva de Trabalho, com responsabilidade e compromisso com a educação mineira."
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