Auxiliar de enfermagem é agredida no hospital Julia Kubitscheck, em BH: 'não estamos sendo respeitados'
Agressões verbais e físicas fazem parte da rotina dos profissionais de saúde, denuncia sindicato

Uma auxiliar de enfermagem, de 43 anos, foi agredida por uma vigilante, de 27, no Hospital Júlia Kubitcheck, na região do Barreiro, nessa sexta-feira (3).
De acordo com a vítima, na parte da manhã, a profissional da saúde teria pedido ajuda para a agressora para levar a mãe da suspeita na cadeira de rodas, já que ela estava com dores na coluna e não conseguiria fazer o transporte sozinha. Nesse momento, segundo a auxiliar de enfermagem, a filha da paciente teria estourado xingando diversos palavrões.
“Eu tinha explicado para ela que eu estava com a coluna debilitada e pedi que ela me ajudasse. Ela falou: 'não, é obrigação sua. Se você não quiser trabalhar, fique na sua casa'. Não bati boca", contou a auxiliar, que não terá o nome divulgado, para a reportagem da Itatiaia.
Horas depois a vigilante teria encontrado novamente a profissional de saúde e cometido as agressões. "Ela já apontou o dedo e gritou que eu não quis subir com a mãe dela. Eu falei: 'moça, vagabunda não, por favor, me respeite, eu estou no meu ambiente de trabalho.' Quando eu assustei, ela avançou em mim e já foi para a porrada", contou.
Ela contou que a equipe de saúde parou para intervir. “Ela me disse: ‘eu vou matar ela agora' e já preparou o mata leão’”, lembrou. Nesse momento, uma colega puxou a agressora. “Eu fiquei encurralada, não tive forças para me defender. Ela me arranhou toda”, acrescentou.
"Nós, da enfermagem, não estamos sendo respeitados. Ela me bateu, mas ela podia bater em qualquer colega", acrescentou a auxiliar.
Ela ainda disse que vai precisar de acompanhamento psicológico e denuncia que situações como essas já se tornaram corriqueiras. " a nossa indignação é o estrato. o que vem ocorrendo todos os dias. Tem colegas que nem denunciam mais", finalizou.
A suspeita foi presa e levada para a delegacia da Polícia Civil. A reportagem entrou em contato com a corporação e aguarda posicionamento.
Violência recorrente
Neusa Freitas, diretora executiva do Sind-saude, relata as situações dramáticas pelas quais estão passando os profissionais de saúde. "Às agressões contra os servidores da saúde no estado de Minas Gerais são constantes. Já tivemos maxilar deslocado, braço quebrado e até tentativa de homicídio. Nós não temos solução do problema. Quem tem que solucionar é a gestão”
Ela ainda denuncia o aumento de doenças mentais entre os profissionais da saúde devido aos traumas causados pelas agressões. “Já trabalhamos com a sobrecarga, a desvalorização, os baixos salários, a retirada de direitos e ainda temos que conviver com a violência diária”, acrescentou.
Procurado, o governo do estado ainda não se manifestou sobre o assunto.
Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.
Repórter policial e investigativo, apresentador do Itatiaia Patrulha.

