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Em seis meses, 1350 pessoas foram resgatadas por bombeiros com objetos presos ao corpo em MG

Pelo menos três pessoas procuram o Corpo de Bombeiros todos os dias com anéis presos ao dedo em Minas Gerais

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Entre os objetos mais comuns de se prender ao corpo estão anéis, cadeiras, ralos e panelas
Entre os objetos mais comuns de se prender ao corpo estão anéis, cadeiras, ralos e panelas • Divulgação | CBMMG

Nesta segunda-feira (19) repercutiu o caso de uma mulher que precisou ser socorrida por bombeiros militares após ter o dedo estrangulado por um anel. Apesar de parecer inusitado, o caso é bastante comum. Em cinco anos (entre 2015 e 2020), quase 7 mil pessoas foram socorridas com um anel preso no dedo em Minas Gerais, o que representa cerca de 3 pessoas por dia.

A partir de 2021, o Corpo de Bombeiros deixou de registrar os casos específicos de anéis presos em dedos e passou a registrar como “objetos”, ou seja, casos em que a pessoa tinha algum objeto preso em seu corpo, não só o anel. Entre os objetos mais comuns estão: ralo, cadeira de plástico, latas, panelas e acessórios em geral.

“Nós temos crianças que prendem o dedo em ralo, cadeira de plástico, elas colocam o dedinho no meio da cadeira e às vezes prende, lata, panela, grade… A gente verifica que anel ainda é uma causa é maior de necessidade de atendimento do Corpo de Bombeiros relativo a pessoas com objetos presos ao corpo, considerado todos os objetos”, relata a porta-voz do Corpo de Bombeiros Militares de Minas Gerais, Capitã Thaise.

Neste ano, 1350 pessoas procuraram os bombeiros para retirar um objeto preso ao corpo em Minas Gerais. Somente em Belo Horizonte foram 384 casos.  A capitã destaca que um objeto preso ao corpo pode interromper a circulação sanguínea, deixando consequências severas no membro preso.

“É muito perigoso a pessoa ter um objeto preso ao corpo por muito tempo, porque ele pode começar atrapalhar a circulação sanguínea, e quanto mais tempo tiver atrapalhando essa circulação, maior dificuldade de passar oxigênio. Se ficar muito tempo esse membro sem oxigenação é possível que os danos eles sejam permanentes. Começou a verificar que está com dificuldade, tem que ir para o hospital porque realmente há o risco de perder aquele membro”.

O que fazer se um anel prender no meu dedo?

Num primeiro momento, para tirar um anel que está estrangulando o dedo, o ideal é tentar passar creme, óleo ou algum tipo de gordura para facilitar a retirada. Outro método é mergulhar o dedo em água gelada, que ajuda o membro a desinchar. 

Caso nenhuma destas técnicas funcione e a pessoa note que o dedo está inchando, é imprescindível buscar ajuda do Corpo de Bombeiros. Se a pessoa estiver sentido muita dor, pode também procurar um hospital, onde um médico pode anestesiar a mão antes do procedimento de retirada do anel.

“Quando não tem um edema muito grande, nós utilizamos a princípio uma técnica com fio dental, vai enrolando no dedo e vai puxando esse anel aos pouquinhos até ele conseguir sair. Se essa inflamação estiver muito grande, a gente faz uma um corte desse anel com uma micro-retífica, que é o equipamento que a gente tem nos nossos batalhões que faz o corte do anel. Até no hospital a gente consegue fazer isso, dependendo da situação, o médico pode colocar uma anestesia e a gente faz o corte com essa micro-retífica”, explica a capitã Thaise.

Perigo com crianças

Enquanto entre adultos o mais comum é prender o dedo em anéis, no caso das crianças é comum que os bombeiros sejam acionados devido ao ralo do banheiro preso na mão dos pequenos. Isso porque as crianças, deixadas sozinhas para tomar banho e curiosas, acabam enfiando o dedo no ralo e não conseguem mais tirar.

“É muito comum que as crianças estejam sozinhas no banho, estão lá brincando no banheiro e nesse momento elas acabam colocando o seu dedinho nos ralos. Diversas vezes nós já fomos chamados por isso, então o adulto tem que estar de olho na criança, nunca deixar uma criança cuidando de outra criança, sempre um adulto responsável, porque esse acidente, como diversos outros acidentes domésticos que acontecem com as crianças, são muito rápidos e muito silenciosos”, orienta a capitã e porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.