'É mais difícil do que a gente esperava’, diz irmão de jovem morta em Juatuba, na Grande BH; réu é julgado nesta quarta-feira (30)
Ítalo Jefersson da Silva é acusado de estuprar e matar Vanessa Lara de Oliveira Silva, de 23 anos

Ítalo Jefersson da Silva, acusado de estuprar e matar Vanessa Lara de Oliveira Silva, de 23 anos, será julgado pelo Tribunal do Júri na manhã desta quarta-feira (30). “É mais difícil do que a gente esperava”, afirmou Matheus Silva, irmão da jovem, sobre o julgamento. Emocionado, ele compareceu à sessão vestindo uma camiseta com uma fotografia de Vanessa com manchas de tinta vermelha para representar sangue. A jovem foi assassinada em fevereiro deste ano em Juatuba, na Grande BH.
“Essa camisa representa o que aconteceu com a minha irmã. Minha irmã, esse crime brutal que aconteceu com ela. É só uma representatividade. E é muito difícil pra gente viver tudo isso que está acontecendo. Mas eu queria mostrar pela camisa a dor, o sofrimento, tudo que a minha irmã passou”, disse Matheus.
Matheus contou que ele e a família sofrem muito com a perda da jovem. “Na minha casa, a gente fala só de Vanessa. As fotos [dela] lá são inúmeras. Então, não tem como esquecer. Essa coisa que o luto vai passar, que você não pode chorar, não existe. Não sei em quanto tempo a gente vai viver isso, mas tem se intensificado ainda mais”, disse.
Matheus também comentou sobre o réu já ter sido condenado outras vezes e ter recebido liberdade provisória: “Essa mesma justiça que soltou ele, que colocou ele em liberdade, é a mesma justiça que eu tenho que confiar hoje para puni-lo novamente. Então, tento não criar expectativa [quanto] a isso, porque é a quinta chance que ele está tendo, depois de quatro condenações. E a minha irmã só teve uma. Então, nada aqui vai ser justo. A pena de morte foi nossa.”
De acordo com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), antes do homicídio de Vanessa Lara, Ítalo Jefersson cumpria pena, em prisão domiciliar, por roubo (quatro condenações), estupro (três condenações), atentado violento ao pudor, furto e resistência. A pena totalizava 38 anos, 10 meses e 29 dias. Ele já havia cumprido 23 anos, 11 meses e 19 dias e estava solto desde 20 de dezembro de 2025. Segundo o TJMG, uma decisão monocrática do Superior Tribunal de Justiça (STJ) absolveu Ítalo do crime de tráfico de drogas, beneficiando o réu com a progressão do regime e o consequente cumprimento da pena na prisão domiciliar.
Denunciado
Ítalo Jefersson da Silva foi denunciado e pronunciado por homicídio qualificado, por meio cruel e para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime, estupro e destruição, subtração ou ocultação de cadáver.
Nesta quarta-feira (30), a sessão do Tribunal do Júri na Comarca de Juatuba será presidida pela juíza Alina Tereza de Mattos Azevedo, da Vara Única da Comarca de Juatuba.
Atualmente, Ítalo Jefersson está preso no Presídio José Martinho Drumond, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Relembre o caso
Na época do crime, Vanessa Lara de Oliveira foi dada como desaparecida. Ela foi vista pela última vez no Sistema Nacional de Emprego (Sine), em Juatuba, onde prestava serviço para uma empresa terceirizada, no dia 9 de fevereiro. Vanessa morava em Pará de Minas e se deslocava até Juatuba para trabalhar. Familiares contaram que a jovem trabalhava para custear a faculdade de Psicologia.
De acordo com a denúncia do MPMG, a jovem havia saído do trabalho e seguia a pé em direção ao ponto de ônibus quando passou a ser seguida pelo denunciado. Em um local ermo e de vegetação densa, Ítalo atacou Vanessa. “Depois de violentar sexualmente a mulher, com o objetivo de assegurar a impunidade do delito antecedente e por razões relacionadas ao menosprezo à condição do sexo feminino, o homem teria provocado a morte da vítima por asfixia mecânica”, apontou o MPMG.
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Após o crime, o suspeito ocultou o corpo de Vanessa em uma canaleta de drenagem, sob vegetação alta, com o intuito de dificultar sua localização, conforme o Ministério Público. O cadáver foi encontrado no dia 10 de fevereiro.
Investigações da Polícia Civil de Minas Gerais apontaram que o crime ocorreu no dia 9 de fevereiro. Segundo a corporação, no mesmo dia, Ítalo foi até a casa da mãe dizendo que havia apanhado de dois homens e que precisava fugir. Ainda segundo a polícia, Ítalo tomou banho, pediu dinheiro à mãe e disse que seguiria para a capital. O suspeito fugiu.
No dia 10 de fevereiro, a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) foi à casa de familiares de Ítalo, que na ocasião ligou para a família e confessou o crime.
No dia 12 de fevereiro, Ítalo foi localizado em Carmo do Cajuru, no Centro-Oeste de Minas, viajando em um vagão de trem de carga. Segundo a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), ele tentou fugir ao perceber a abordagem, mas foi detido. Com o suspeito, foram encontradas uma faca, roupas e comida. À polícia, Ítalo confessou o homicídio, mas negou o abuso sexual.
Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.
Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é "cria" da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.




