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Dia da Consciência Negra: Aleijadinho será o primeiro negro homenageado no Palácio da Liberdade, em BH

O secretário de cultura de Minas Gerais diz que a homenagem é tardia, mas que representa uma “reparação histórica”

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Aleijadinho será a primeira pessoa negra a ter o retrato exibido no Palácio da Liberdade, sede do governo de Minas • Reprodução | Redes Sociais.

Nesta quarta-feira (20), o Governo de Minas Gerais, através da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo e da Fundação Clóvis Salgado, realiza uma cerimônia de entronização do artista Aleijadinho, no Palácio da Liberdade.

Será a primeira vez que um artista negro será representado no espaço que homenageia outros mineiros como Santos Dumont, Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves e Tiradentes.

De acordo com o secretário de Cultura, Leônidas Oliveira, a homenagem ao patrono da artes no Brasil representa uma "reparação histórica" ao artista. "A escolha do Aleijadinho para estar na sala dos grandes de Minas Gerais se deve que ele sintetiza a nível estadual e ao nível de Brasil uma arte muito mestiça, sendo filho de português e de uma negra escravizada. Ele coloca em suas obras de arte essa miscigenação e, claro, com uma genialidade ímpar", explicou.

Quem era Aleijadinho?

Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como Aleijadinho, nasceu em Vila Rica, atual Ouro Preto, por volta de 1738. Filho do arquiteto português Manuel Francisco Lisboa e da escravizada Isabel, foi entalhador e escultor mestre.

O artista trabalhava sob encomenda, usando, principalmente, a pedra-sabão. Um dos projetos mais importantes de sua carreira foi a construção da Igreja de São Francisco de Assis.

Em 1777, ele foi diagnosticado com uma doença grave. Aleijadinho perdeu os dedos do pé e para se locomover, andava de joelhos. Apesar disso, continuou trabalhando.

Patrono das artes no Brasil

Aleijadinho é considerado o maior representante do barroco mineiro. Ele foi declarado patrono das artes do Brasil através da lei 5.984 de 12 de dezembro de 1973.

O título de patrono é concedido a personalidades reconhecidas em suas respectivas áreas de atuação, como Tiradentes, Machado de Assis, Oscar Niemeyer e Paulo Freire.

Sala dos grandes de Minas

Além da homenagem histórica, a data também é simbólica, já que nesta quarta-feira também é comemorado o dia da Consciência Negra no Brasil. Para o secretário, o país precisa aprofundar o conhecimento sobre a formação étnica e racial. "Nós somos formados, basicamente, a partir de três matrizes do povo africano, dos povos originários indígenas, dos portugueses que vieram para cá, obviamente, dos italianos e de outros que vieram no século XIX e XX. Porém, essa matriz originária é fundamental e conhecer isso é muito importante", declarou.

Ele continua dizendo que o gesto de hoje, embora tardio, também representa a "mestiçagem" do povo brasileiro. "Vamos pensar que é o primeiro negro que tem a foto exposta no Palácio da Liberdade e a liberdade está na nossa bandeira, tem no século XVIII com os inconfidentes, e das artes todas, o grande Aleijadinho como síntese de tudo isso. Então é muito natural, acho que vem até muito tarde", afirmou.

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Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.

 

 

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