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Desiludido, pedreiro enganado por mulher de IA embarca de BH para Tocantins após desistir de voltar para o Maranhão

Sem dinheiro, o pedreiro conseguiu a passagem por meio do Serviço de Atendimento e Acolhimento ao Migrante da Prefeitura de Belo Horizonte, nesta terça-feira (13)

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A situação vivida por Edimar não é um caso isolado. Trata-se do terceiro episódio semelhante registrado na capital mineira em menos de seis meses. • Itatiaia

Dois dias depois de desembarcar na rodoviária de Belo Horizonte após assistir a vídeos de uma ‘mulher’ gerada por inteligência artificial, o pedreiro Edimar Rocha Martins, de 49 anos, já está na estrada. No entanto, em conversa com a Itatiaia na tarde desta terça-feira (13), Edimar revelou que não vai voltar para a cidade de Imperatriz, no Maranhão, e que tem como destino Araguatins, o município do Tocantins que fica a mais de 2.100 quilômetros da capital mineira.

Sem dinheiro, o pedreiro conseguiu a passagem por meio do Serviço de Atendimento e Acolhimento ao Migrante da Prefeitura de Belo Horizonte, nesta terça-feira (13), um dia depois de pedir ajuda à Itatiaia para encontrar a mulher de IA e de ser informado pela reportagem de que ela não existe.

“Estou dentro do ônibus já. Só que eu não vou pra Imperatriz, não. Eu vou lá pra minha cidade, terra natal, Tocantins. É a cidade para onde eu vou agora. Quero agradecer a presença de vocês aí, cada um de vocês aí, viu? E eu estou dentro do ônibus aqui já. Deus abençoe cada passo de vocês e ilumine os caminhos de vocês”, disse Edimar, que finalizou: “Mas a qualquer momento eu estou voltando para aí de novo. Mas, quando eu for, agora vai ser de outro jeito”, disse.

Entenda

Edimar chegou à capital nesse domingo (11) e só então descobriu que, na verdade, a mulher que prometia vida a dois em uma fazenda de Minas não existe no mundo real: trata-se de uma figura gerada por inteligência artificial que enviava respostas automáticas para quem interagia com suas postagens.

"Eu não sei nem dizer... Para que que tem um aplicativo desse, né? Se não é para existir um negócio desse, não era nem para estar aí", disse o pedreiro. Mesmo sendo alertado pela reportagem de que se tratava de um perfil de inteligência artificial, Edimar continuava insistindo em mandar recados para encontrar a suposta mulher, que se apresentava nos vídeos como "Jéssica".

De acordo com ele, a decisão de cruzar o país começou a ser desenhada após a morte da mãe do pedreiro, evento que abalou seus vínculos com a terra natal. "Eu não quero mais ficar em Imperatriz, não gosto de lá. Eu gostava de lá quando minha mãe era viva. Isso minha família toda sabe", desabafou Edimar, que também explicou o peso do isolamento em sua decisão:

"Às vezes, uma solidão dentro de casa acaba trazendo muito transtorno na vida da gente. Por isso que eu vim atrás dela".

Segundo o trabalhador, o perfil de IA prometia um romance dos sonhos: "Ela falou assim: 'Não, você vai morar mais eu aqui na fazenda'. Então, assim, eu digo: 'Então eu vou'".

A situação vivida por Edimar não é um caso isolado. Trata-se do terceiro episódio semelhante registrado na capital mineira em menos de seis meses.

Em junho, um idoso vindo de Roraima desembarcou em Belo Horizonte sob a mesma expectativa; em agosto, outro idoso, vindo de Manaus, também caiu no engano. O ‘convite’ costuma utilizar vídeos de mulheres atraentes que se dizem proprietárias rurais em busca de parceiros ou trabalhadores.

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Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está como editor de Cidades, Brasil e Mundo.

 

 

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