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Dentista vítima de importunação sexual em Igarapé relata medo e traumas psicológicos

Em entrevista à Itatiaia publicada nesta sexta-feira, profissional diz que não conseguiu retomar o trabalho

Por e 
Dentista diz que vídeo foi fundamental para repercussão do caso e punição do criminoso • Reprodução / Pixabay

A dentista de 35 anos, vítima de importunação sexual por parte de um paciente, falou com a Itatiaia sobre o caso, ocorrido terça-feira (8) durante um atendimento em uma clínica de Igarapé, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Um vídeo mostrou o homem, de 43 anos, se masturbando durante o tratamento. Traumatizada, a profissional conta que ainda não conseguiu voltar a trabalhar, relata medo e diz que decidiu falar para evitar que outras pessoas passem por situação semelhante.

“Tenho medo de represálias. De saber como é que vai ser daqui para frente, porque bate uma insegurança. A gente não se sente protegida em um local de trabalho, né? Eu estava ali fazendo o meu serviço, a coisa que eu mais amo na vida, que é devolver sorrisos, e naquele momento ele conseguiu tirar o meu”, disse a dentista, que não será identificada.

A profissional conta que conseguiu ver o vídeo somente na delegacia. “Estou passando por tratamentos psicológicos. Graças a Deus eu tenho uma equipe boa que está me ajudando, que me dá apoio, meu marido está aqui comigo, e ainda não consegui voltar”, disse.

O criminoso, preso ainda na clínica, passou por audiência de custódia nessa quinta-feira (10) e vai continuar na cadeia. “Se não tivesse câmera, às vezes não teria tomado essa proporção toda. É uma clínica segura, um local seguro, né? Eu não sei o que passou na cabeça dele, se ele achou que a gente não ia denunciar, se íamos fingir que não vimos, mas graças a Deus teve esse registro e a gente pôde correr atrás do que é certo”, disse.

Apesar dos traumas, ela se sente um pouco aliviada, mas ressaltou: “A palavra conforto, neste momento, é um pouco difícil, acho que ela não se enquadra muito, porque a gente ainda não está confortável, né? Então, eu não consegui voltar, mas as outras meninas tiveram que voltar ao trabalho, às funções normais. Então, elas também não estão confortáveis. Que a Justiça seja feita, que ele pague somente o que realmente for dever dele pagar e pronto”.

A dentista destaca a importância de denunciar casos de abuso. “Demorei a ter coragem de me expor dessa maneira, mas o que me levou a fazer esse pronunciamento foi para que outras mulheres que passam por isso ou que já passaram por isso, com a mesma pessoa ou não, se sintam à vontade para denunciar, porque é somente depois da denúncia que a gente consegue fazer alguma coisa, que a Justiça consegue ser feita, né? Só depois da denúncia.”

O crime

Nas imagens, é possível ver a dentista realizando o procedimento enquanto o paciente está com o órgão sexual exposto. Concentrada no atendimento, a profissional não percebe o ato imediatamente e prossegue com o tratamento.

De acordo com o Boletim de Ocorrência (BO), o homem chegou à clínica dizendo precisar de um procedimento estético de urgência, pois viajaria no dia seguinte. Durante o atendimento, ele apresentou comportamentos considerados suspeitos, como tentar retirar a máscara da dentista. Apenas depois a profissional percebeu que o paciente estava se masturbando deitado na cadeira.

“Era um procedimento estético. Ele estava precisando melhorar o sorriso naquele momento. Então, sentei na cadeira e comecei a trabalhar”, lembra a dentista, que conta ter notado o comportamento estranho do importunador. “Num determinado momento, ele lambeu meu dedo. Eu achei que fosse uma reação de defesa, um momento sensível para ele, porque é um procedimento que incomoda. Falei assim: ‘Olha, tem que ficar quietinho, não pode passar a língua aqui porque eu preciso desse local bem sequinho’. Depois de um certo momento, não sei se ele tentou pegar a minha máscara ou passar a mão no meu rosto”, conta a profissional. Ao perceber que o homem estava se masturbando, ela saiu do consultório e pediu ajuda imediatamente.

“Me afastei e continuei trabalhando. Como era uma coisa estética, eu estava realmente bem concentrada ali no dente dele. E aí passou um minutinho, fui buscar um material na bancada e, na hora que eu olhei para a frente, eu vi, né? Infelizmente eu vi o que ele estava fazendo ali, com as partes íntimas à mostra. No momento de susto mesmo, eu afastei a mesinha, saí da sala e pedi para a gerente da clínica chamar a polícia.”

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Amanda Antunes cursou jornalismo no Unileste (Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais), com graduação concluída na Faculdade Estácio, em Belo Horizonte. Em 2009, começou a estagiar na Rádio Itatiaia do Vale do Aço, fazendo a cobertura de cidades. Em 2012, chegou à Itatiaia Belo Horizonte. Na rádio de Minas, faz parte do time de cobertura policial - sua grande paixão - e integra a equipe do programa ‘Observatório Feminino’.

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Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está na editoria de cidades.