Criança que morreu engasgada não precisava de apoio em refeições, diz secretária de educação
Emanuelly Lana Martins Soares, de apenas 7 anos, morreu engasgada após comer feijão tropeiro em merenda escolar

A criança, de 7 anos, que morreu engasgada, nesta quarta-feira (12), após comer feijão tropeiro de merenda escolar na Escola Municipal Bruna Diniz Patrocínio Alves, no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, tinha diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) de nível 1 de suporte e não precisava de uma profissional de apoio durante as refeições. A informação foi divulgada pela secretária de educação do município, Dolores Kicila, durante uma coletiva de imprensa.
Ainda segundo a chefe da pasta, o suporte da criança era pedagógico, e não um suporte de "vida cotidiana". "Os profissionais de apoio estavam na escola no momento. Essa pessoa que acompanhava ela durante as intervenções estava trabalhando. Foi a pessoa, inclusive, que acionou a unidade de saúde próxima à escola, foi quem correu até o posto de saúde e pediu ajuda. Durante a alimentação, crianças que são assistidas são crianças que necessitam desse apoio. A criança, a Emanuelly, era uma criança independente e autônoma", informou Kicila.
Questionada se algum profissional acompanhava a alimentação da criança, a chefe da pasta informou que a menina era acompanhada por vários profissionais da escola que estavam no refeitório. Ainda segundo Kicila, a criança nunca precisou de alimentação especial ou de apoio durante a alimentação. "Ela era independente", explicou. A secretária de educação esclareceu que os primeiros socorros foram prestados de forma imediata e que a unidade de saúde foi acionada.
A amiga da família Adrielia Aguiar, por outro lado, afirmou que Emanuelly deveria ser assistida por uma "professora de apoio", profissional que auxilia alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento ou mobilidade reduzida na rotina escolar.
"Toda criança autista tem esse direito. A professora não estava presente no momento, o que poderia ter evitado de acontecer o que aconteceu. [...] A escola deveria ter a obrigação de ter um profissional. [...] Uma criança não vai ter noção do tamanho de coisa que vai comer ou não. Foi erro da Secretaria de Educação, por falta desse apoio, foi erro da Prefeitura, que sempre falha, não é de hoje, com os meninos que precisam do apoio. Poderia ter sido evitado se a Secretaria de Educação tivesse feito o que ela tem que fazer", denunciou Adrielia Aguiar, amiga da família de Emanuelly.
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Processo investigativo
Ainda durante a coletiva, a secretária de educação do município, Dolores Kicila, informou que a Prefeitura de Ribeirão das Neves presta assistência à família e que um processo investigativo foi aberto para apurar tudo o que ocorreu.
"Nós já estivemos com a família toda hoje durante toda manhã e até pouco tempo atrás. A Prefeitura está dando todo o suporte necessário e a gente está abrindo um processo investigativo para apurar mesmo tudo o que aconteceu, como aconteceu, aguardando os laudos, para que a gente possa ter consciência do que aconteceu", explicou.
O que diz a prefeitura?
Em nota, a Prefeitura de Ribeirão das Neves disse que a criança apresentou um "mal-estar nas dependências da escola". Funcionários do colégio prestaram os primeiros socorros à Emanuelly, realizando as manobras de atendimento indicadas, enquanto as equipes do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) ainda não chegavam ao local.
Segundo a gestão municipal, o serviço de socorro demorou cerca de 15 minutos para chegar até a escola e os profissionais do Samu insistiram em manobras de reanimação por mais 40 minutos. Apesar dos esforços, a criança não resistiu e morreu no local.
Ainda na declaração oficial, a prefeitura se solidarizou com os familiares e amigos da criança, além de toda a comunidade escolar. A Secretaria de Educação de Ribeirão das Neves determinou a abertura de um processo de sindicância administrativa para a apuração interna do episódio.
Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo
Laura Gorino é mineira e jornalista formada pela UFOP. Atualmente como repórter multimídia na Itatiaia, com passagem prévia pela filial da rádio em Ouro Preto.




