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Corpos de jovens mortos em BMW são velados em ginásio de Paracatu nesta quinta

Familiares e amigos se despedem de Gustavo Pereira e de Nicolas Kovaleski em Paracatu; Karla dos Santos e Tiago de Lima Ribeiro foram levados para Lagoa Formos

Por e 
Vítimas eram de Paracatu, no norte de Minas • Reprodução Redes Sociais

O velório de Gustavo Pereira Silveira Elias, de 24 anos, e de Nicolas Oliveira Kovaleski, de 16, que morreram por uma suposta intoxicação dentro de uma BMW em Balneário Camboriú (SC), ocorre no Ginásio Poliesportivo, em Paracatu, na região Noroeste de Minas, na manhã desta quinta-feira (4).

O corpo de Gustavo deve seguir para o Cemitério de Santa Cruz e o de Nicolas para o Cemitério Alto da Colina. Testemunhas contaram que durante a madrugada, um homem embriagado precisou ser contido pela Polícia Militar (PM) após proferir palavras ofensivas.

Conforme os familiares, Karla Aparecida dos Santos, de 19, e Tiago de Lima Ribeiro, de 21, foram levados para Lagoa Formosa, no Alto Paranaíba, onde ocorrem as últimas despedidas.

Infância difícil

Segundo um primo de Nicolas, ele cresceu na zona rural de Paracatu, no Noroeste de Minas, e queria ajudar a família. “Na infância ele teve muito sofrimento, passou fome, foi abandonado pelo pai, deixando sozinho com a mãe e dois irmãos”, contou Leonardo Reis à Itatiaia. Segundo ele, o jovem conheceu Gustavo Pereira Elias, de 24 anos, e Karla Aparecida dos Santos, de 19, outras duas vítimas, na zona rural e eles se mudaram para Florianópolis com o mesmo objetivo.

“Eles se conheceram na escola da zona rural e pegaram amizade desde essa época. Ele [Nicolas] viu as dificuldades da mãe, fome, sem casa própria, e queria lutar por um futuro melhor para ela”, disse.

Como aconteceu

Nicolas se mudou para Florianópolis com o objetivo de ajudar financeiramente a família, a partir de uma empresa de Marketing Digital. Gustavo, uma das vítimas, estava no processo de abertura do negócio.

O adolescente estava no banco de trás da BMW, junto de Gustavo. Tiago de Lima Ribeiro, de 21, dirigia o carro, e Karla estava no banco do passageiro. O grupo havia ido até a rodoviária de Balneário Camboriú para buscar a namorada de Gustavo, não identificada, no dia 1º de janeiro.

Quando a jovem chegou, o grupo relatou que estava passando mal, com vômitos e tonturas. Eles acreditavam que a causa seria um cachorro-quente que comeram na praia. Nicolas teria acionado o SAMU, mas, pelo atendimento não ser considerado de urgência, os paramédicos o orientaram a procurar um hospital.

Por estarem se sentindo mal, os jovens optaram por continuar dentro do carro ao invés de procurar atendimento hospitalar, já que estavam distantes do hospital mais próximo. A única sobrevivente da tragédia optou por ficar fora do veículo, já que se sentia bem, e se dirigiu à rodoviária.

A jovem voltou ao carro algumas vezes e, na última, iria incentivá-los a retornar à viagem, mas encontrou os quatro jovens mortos, com sinais de convulsão. Ela, então, pediu ajuda. Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Municipal, Corpo de Bombeiros e SAMU foram ao local.

Hipótese da Polícia Civil

A Polícia Civil de Santa Catarina trabalha na hipótese de que os jovens morreram por intoxicação por monóxido de carbono, por terem ficado dentro do veículo fechado. O vazamento teria sido causado por uma customização no cano de descarga do carro, a fim de deixá-lo mais barulhento.

Um vídeo feito por um perito da PCSC mostra uma fresta entre o cano de escape e o motor, por onde o gás poderia ter saído. Por causa do buraco, o gás carbônico não saiu do carro e ficou no capô, e, devido ao ar-condicionado, acabou indo para dentro do veículo.

*com informações de Maria Fernanda Ramos

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Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.

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Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é "cria" da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.