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Corpo de criança é encontrado em Juiz de Fora; número de mortos na Zona da Mata sobe para 64

trabalho de busca em Juiz de Fora ocorre em três frentes: nos bairros Paineiras, JK e Linhares

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Cinco pessoas ainda estão desaparecidas em Juiz de Fora
Cinco pessoas ainda estão desaparecidas em Juiz de Fora  • Talyssa Lima/ enviada especial

O Corpo de Bombeiros atualizou para 64 o número de mortos na Zona da Mata de Minas em decorrência das chuvas. O balanço foi divulgado na manhã desta sexta-feira (27), após mais uma madrugada de trabalho. O corpo da pequena Sophia, de 8 anos, foi encontrado no bairro Paineiras. São 58 mortes em Juiz de Fora e seis em Ubá. Cinco pessoas estão desaparecidas nas duas cidades.

O trabalho de busca em Juiz de Fora ocorre em três frentes: nos bairros Paineiras (onde um menino de 10 anos está soterrado), JK (Comunidade Parque Burnier) e Linhares.

O tenente Elias Júnior, do Corpo de Bombeiros, ressaltou à Itatiaia nesta sexta-feira o risco do trabalho, já que a chuva não deu trégua. “Durante a madrugada, a palavra principal de ação era segurança. Nós tivemos chuvas contínuas, porém com menor intensidade. Graças a Deus, não tivemos novos eventos que envolvessem vítimas durante a madrugada, porém tivemos pausas de segurança nas frentes de buscas. Agora, atuamos com três frentes de buscas, como foi citado, para encontrar essas três vítimas remanescentes.”

Solidariedade

Em meio à tragédia, a solidariedade toma conta de várias regiões da cidade, mobilizando moradores e voluntários.

Além da doação de alimentos, roupas, água e produtos de higiene, muitos oferecem apoio emocional. “Solidariedade é um ato de ajuda, de empatia, de amor ao próximo. Em momentos como esse, faz toda a diferença”, afirmou Cleunice Daniel, voluntária que atua em um dos pontos de apoio.

A Zona da Mata está em alerta máximo em razão da previsão de chuva forte pelo menos até o final da noite desta sexta-feira (27).

Chuvas muito acima da média

A chuva histórica foi registrada na noite de segunda-feira (23). Ainda na madrugada de terça (24), a Prefeitura de Juiz de Fora decretou estado de calamidade pública diante da gravidade das chuvas intensas e persistentes que atingem o município. Segundo a administração municipal, o volume acumulado chegou a 584 milímetros, tornando fevereiro o mês mais chuvoso da história da cidade.

Em alguns bairros, o acumulado em poucas horas foi extremo, com pico de cerca de 186,1 milímetros no bairro Nossa Senhora de Lourdes e registros entre 130 mm e 170 mm em outras regiões.

A situação provocou transbordamentos históricos, com o Rio Paraibuna fora da calha, córregos cheios, bairros ilhados e, até o momento, 20 registros de soterramentos, principalmente na região Sudeste do município.

Imagens impressionantes em Ubá

Já Ubá, que fica a cerca de 100 km de Juiz de Fora, registrou aproximadamente 170 milímetros de chuva em cerca de três horas, de acordo com a Prefeitura. O volume elevado provocou a maior inundação dos últimos anos.

O Rio Ubá atingiu 7,82 metros, causando alagamentos e inundações em uma extensa área urbana, com impacto em diversos bairros, ruas e estabelecimentos comerciais, além de comprometer a prestação de serviços essenciais. A cidade também decretou estado de calamidade pública.

Por lá, imagens impressionantes mostram caixões sendo levados pela força da enxurrada, carros arrastados de uma concessionária e idosos sendo resgatados de uma casa de repouso.

Matias Barbosa

A Prefeitura de Matias Barbosa também suspendeu os serviços de educação e saúde e decretou estado de calamidade pública. Imagens aéreas mostram a cidade completamente alagada.

Com cerca de 14 mil habitantes, o município fica a aproximadamente 10 km de Juiz de Fora (MG) e 120 km de Ubá. O nível da água subiu rapidamente, pegando moradores de surpresa. O comércio local ficou totalmente inundado, resultando em perda total de estoques e equipamentos, além de deixar a cidade isolada.

O que provocou a chuva

Segundo o coordenador-geral do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Marcelo Celutci, a tragédia foi resultado da combinação de uma massa de ar muito úmida, a passagem de uma frente fria e a temperatura do mar acima do normal, o que aumenta a instabilidade atmosférica e favorece chuvas intensas a qualquer momento.

Apesar da previsão ampla, os eventos extremos tendem a ser localizados, e Juiz de Fora foi mais afetada por fatores como topografia complexa e encostas voltadas para o oceano, que recebem diretamente a umidade marítima.

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Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está como editor de Cidades, Brasil e Mundo.

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Mineiro de Urucânia, na Zona da Mata. Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Ouro Preto (2024), mesma instituição onde diplomou-se jornalista (2013). Na Itatiaia desde 2016, faz reportagens diversas, com destaque para Política e Cidades.

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Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.

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