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Conheça a história de dois grandes nomes da MPB com o Barro Preto

Itatiaia encerra hoje série de reportagens sobre o Polo da Moda de Belo Horizonte

Por
João Felipe Lolli

Ao longo desta semana contamos a história de um dos mais tradicionais bairros de Belo Horizonte. Edifício JK, Fórum Lafayette e a sede do Cruzeiro Esporte Clube são alguns dos marcos do Barro Preto, que serviu de lar para imigrantes europeus que ajudaram a construir a história da capital mineira.

Do barro que realmente preto, fértil e fonte de ouro para exploradores do século 17, passando pelo crescimento industrial e comercial da capital, e chegando a 2025 com desafios como a concorrência com as vendas online e as dificuldades com segurança pública e pessoas em situação de rua.

Ao longo desta semana a obra ‘Barro Preto’, livro lançado em 2022 pelo jornalista Chico Brant, nos ajudou a contar esse história. E ela termina com um relato musical. São dois artistas que viveram no Barro Preto.

Nelson Ned e a amizade com escritor colombiano

Mineiro de Ubá, na zona da mata, Nelson Ned nasceu em março de 1947. Filho de pais apaixonados por música, desde cedo se destacava pela voz potente e a presença em rádios e restaurantes se intensificava.

Teve as primeiras gravações profissionais registradas na década de 1960, e rodou o mundo se apresentando nos mais variados palcos. O escritor Chico Brant fala da ligação de Nelson Ned com o Barro Preto.

“Ele veio viver com a mãe aqui em Belo Horizonte. Ele gostava de cantar, então ele dava muita canja nos bares à noite, naqueles bares normais lá do bairro”, conta.

Ganhou Discos de Ouro no Brasil e no exterior, tendo vendido mais de 45 milhões de cópias ao longo de mais de cinco décadas de carreira. Ned foi o primeiro latino a alcançar um milhão de discos comercializados nos Estados Unidos. Gravou ao lado de nomes como Julio Iglesias e Tony Bennet. Entre os milhões de fãs, conquistou a admiração do escritor colombiano Gabriel Garcia Marquez.

“Ele era amigo pessoal do Gabriel Garcia Marquez, e segundo o próprio Garcia Marquez, foi pra ele que o grande escritor colombiano ligou informando que tinha recebido o Prêmio Nobel (de Literatura, em 1982)”, relata Brant.

Gabriel Garcia Marquez é um dos mais premiados escritores latino-americanos. Autor da obra-prima Cem anos de solidão, Garcia Marquez tem diversas outras obras premiadas em sua carreira, como Os funerais da Mamãe Grande (1962), O amor nos tempos do cólera (1985) e Memórias de minhas putas tristes (2004). É atribuída ao autor a criação do gênero literário realismo fantástico, uma típica forma de contar histórias que deriva dos floclores das Amércias. Gabriel Garcia Marquez morreu em 2014, aos 87 anos, curiosamente o mesmo ano da morte de Nelson Ned, que faleceu aos 66 anos.

Com apenas um metro e 12 centímetros de altura, por conta de uma doença crônica, Ned recebeu o apelido de pequeno gigante da canção.

Antes de cantar, trocava óleo e consertava o câmbio

Agnaldo Timóteo é natural de Caratinga, no Vale do Rio Doce, onde nasceu em 1936. Foi morar em Governador Valadares antes de vir pra Belo Horizonte, onde teve início difícil como auxiliar de mecânica.

“Consta também que o Agnaldo Timóteo chegou a frequentar o bairro e a trabalhar numa das mecânicas lá. Antes, obviamente, do sucesso musical, tentando ele traçar o seu caminho, trocava um pneu, apertava um parafuso. Parece que era muito inteligente, muito procurado. Depois largou a mecânica e foi cantar. E depois ele mudou para a Lagoinha, por lá ficou”, conta o jornalista Chico Brant.

A carreira musical de Agnaldo Timóteo só começou nos anos 1950, quando ele ainda tinha 16 anos. Foram quase 70 anos no palco – seja da música, da política ou dos programas de auditório.

Na política elegeu-se vereador pelo Rio de Janeiro (1997 a 2000), por São Paulo (2005 a 2012) e foi ainda deputado federal (1983 a 1987 – 1995 a 1996).

Nos programas de auditório era figurinha carimbada em atrações comandadas por Luciana Gimenez – os extintos SuperPot e Luciana By Night, ambos na RedeTV!.

Na música se consagrou como cantor de voz forte e aveludada, marcando presença com canções românticas e releituras de clássicos internacionais.

Timóteo morreu em 2021, aos 84 anos, vítima de covid.

Por

Mineiro de Urucânia, na Zona da Mata. Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Ouro Preto (2024), mesma instituição onde diplomou-se jornalista (2013). Na Itatiaia desde 2016, faz reportagens diversas, com destaque para Política e Cidades.