Como é morar na cidade mais quente do Brasil? Moradores de São Romão falam do calor de 43,5º C
População se refresca em 'praia' no Rio São Francisco e 'esgota' o estoque de sorvetes e picolés da cidade, que é a mais quente do país pelo segundo dia seguido

A onda de calor que afeta boa parte do Brasil é um dos assuntos mais comentados da internet. E, pelo menos nos últimos dois dias, um pequeno município mineiro se destacou após ser eleita a cidade mais quente do Brasil, pelo menos nesta segunda (25) e terça-feira (26). Mas quem vive em São Romão, no Norte de Minas, afirma que o calorão dos últimos tempos incomoda, mas não assusta.
São Romão fica a mais de 500 quilômetros de distância de Belo Horizonte e é vizinha de cidades como Ubaí, Riachinho, São Francisco e Pintópolis. A cidade fica às margens do Rio São Francisco e boa parte dos 10 mil habitantes do município usam a “praia” para se refrescar.
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Como é viver na cidade mais quente do Brasil?
A Itatiaia conversou com vários moradores de São Romão. Eles afirmam que a vida na “cidade mais quente do Brasil” é tranquila, apesar do calor enfrentado por eles. A cidade conta com alguns clubes de lazer, mas o espaço preferido da população é a “prainha” do Rio São Francisco, que está sendo revitalizada pela prefeitura. Uma festa realizada no mês de outubro costuma lotar a faixa de areia, e a população se refresca com os banhos de rio e de mangueira.
Mesmo sendo a cidade mais quente do Brasil, São Romão só tem duas sorveterias, segundo nos contou uma moradora. Supermercados, padarias e farmácias também vendem picolés e sorvetes, mas o estoque já está quase no fim, pelo menos segundo os funcionários do Supermercado do Waltinho e da Drogaria Santa Rita.
“O trem aqui tá feio. Nosso freezer de sorvete tá vazio, já mandamos repor. O povo tá indo pro rio, é a melhor coisa”, explica Vanessa, funcionária da drogaria.
Em conversa com a Itatiaia, o prefeito Marcelo Meireles (PSDB) confessou que o clima em São Romão está muito quente, mas explicou que essa é a realidade de quem vive no Norte de Minas. A prefeitura tem orientado a população a se manter hidratada e também reduzido a duração das aulas nas escolas.
“O Norte de Minas é, normalmente, muito quente. A população acaba se adaptando a essa situação. A gente tem alertado a população e feito campanhas para minimizar o impacto. Nas escolas, as atividades estão sendo mais curtas. Também estamos investindo na compra de ventiladores e ares-condicionados.”
Segundo Marcelo, 38º C é uma temperatura comum em São Romão. O prefeito acredita que os termômetros da cidade podem até chegar a 45º C nos próximos dias, o que deve aumentar ainda mais o movimento na prainha.
Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.
