Ciclistas relatam medo e preocupação com segurança em Belo Horizonte: 'ato de coragem'
As últimas semanas foram marcadas, em Belo Horizonte, por acidentes envolvendo motociclistas

O grande número de acidentes de trânsito graves envolvendo ciclistas em Belo Horizonte e na região metropolitana, nas últimas semanas, preocupa quem tem o pedal como um estilo de vida.
A ciclista amadora e organizadora do grupo Bike de Elite, Juliane Rocha percorre as ruas da capital sobre duas rodas todos os dias, e usa a bicicleta como um meio de locomoção no dia-a-dia. Ela conta que, apesar da paixão, pedalar na capital tem sido bem menos prazeroso nos últimos tempos.
"Requer do ciclista muita atenção. Eu costumo dizer até um pouco de sangue frio para poder ocupar a via como a gente tem direito de ocupar e se manter nela. É até um ato de coragem. Já foi mais prazeroso."
Juliane conta, inclusive, que além da insegurança é preciso lidar diariamente com a hostilidade e desrespeito dos motoristas.
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"Parece que o pessoal não tá sabendo quais são as leis de trânsito e que bicicleta é veículo e que a gente tem direito de ocupar a via."
Na visão da arquiteta, mestre em Engenharia de Transportes pela UFMG e também ciclista, Janaina Amorim, além de investir em campanhas educativas focadas na promoção da bicicleta enquanto parte da cidade, cabe ao poder público fazer com que o espaço urbano se torne mais amigável para quem usa esse meio de transporte.
"É preciso pensar de forma sistêmica, de forma a melhorar o transporte coletivo. Por exemplo, tem um transporte coletivo de qualidade, pois ele atrai as pessoas para andarem mais nas ruas. É o que a gente chama de integração modal, as pessoas irem caminhando, ou pedalando até uma estação seja de BRT, de metrô ou de ônibus."
Ana Luiza Bongiovani é jornalista e também graduada em direito. É repórter da Itatiaia.
