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Cartório nega registro de bebê com nome Tumi Mboup em BH e mãe denuncia racismo

Família relata frustração após impedimento de registrar filha; Justiça deve analisar caso em outubro

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Tumi Mboup: após Justiça de MG rejeitar, família registra bebê com nome africano no RJ • Arquivo pessoal

“Violência mascarada”, diz mãe

Em entrevista à Itatiaia, a mãe Kelly Cristina da Silva desabafou sobre o sentimento de revolta diante da situação.

“O sentimento é de desgaste total, porque enquanto mulher preta, a gente nesse momento de gestação pensa tanta coisa, como a violência obstétrica, que impacta mais sobre nossos corpos. Tivemos um atendimento tão humanizado no Sofia Feldman, mas no fim não conseguimos registrar nossa filha como sonhamos”, disse a historiadora.

Ela ressaltou que a escolha do nome foi feita com propósito simbólico. “Queríamos ressignificar nossa história, dar voz ao nosso povo que foi silenciado pelo colonialismo e pelo racismo. Mas nos deparamos com leis rasas, aplicadas de forma fria, que parecem não contemplar a todos”.

Impacto na vida da criança

Enquanto aguardam a decisão judicial, os pais afirmam que enfrentam dificuldades até mesmo em procedimentos básicos de saúde, como o teste do pezinho e o acompanhamento pediátrico. Sem o registro civil, a filha ainda não tem CPF e acesso integral a direitos.

“Por enquanto, ela não é nem gente perante a lei. Isso é revoltante. Mais uma vez, vemos como o racismo estrutural se consolida nas instituições. É uma violência que nossos ancestrais já viveram, quando tiveram seus nomes arrancados, e que ainda persiste, só que mascarada”, afirmou a mãe.

Nome e identidade cultural

Para a família, o nome escolhido tem um significado importante. Segundo a mãe, trata-se de uma forma de resgatar a memória de povos silenciados pela escravidão e pelo colonialismo.

“É muito frustrante passar por esse processo. A escolha de Tumi Mboup não foi aleatória, foi um gesto político, de pertencimento e de resistência. Mas ainda encontramos barreiras que mostram o quanto o racismo estrutural está presente”, destacou.

Próximos passos

A solicitação formal para o registro está protocolada e deve ser analisada pelo juiz responsável no dia 2 de outubro. A família também estuda a possibilidade de acionar um advogado para agilizar o processo e garantir que a filha seja registrada com o nome original.

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Estudante de Jornalismo no Centro Universitário Una. Passagens por assessoria política, assessoria de imprensa e TV Alterosa, onde atuou como repórter, produtor e editor do Jornal da Alterosa. Atualmente, produtor do Plantão da Cidade, na Rádio Itatiaia.