Cachorro fica cego e tem pata amputada após diagnóstico errado e cirurgias não autorizadas em MG
O animal, que vive em Montes Claros com sua tutora, Isabel Leandra, passou por diversos procedimentos que a defesa da mulher considera como desnecessários e ficou mutilado em decorrência dos incidentes

O cachorro Chimbinha, um poodle de aproximadamente nove anos, teve uma das patas amputadas e ficou cego devido a um suposto erro veterinário e espera, há quase um ano, reparação pelo ocorrido na Justiça de Minas Gerais. O animal, que vive em Montes Claros com sua tutora, Isabel Leandra, passou por diversos procedimentos que a defesa da mulher considera como desnecessários e não autorizados e ficou mutilado em decorrência dos incidentes e de um diagnóstico errado de câncer.
A advogada da tutora do animal, Kelly Bianchini, explica que após o procedimento, em maio do ano passado, o cão apresentava um “corte enorme no pescoço” e seu olho direito não abria, além de a coxa esquerda do cão apresentar muitos pontos. Ainda, a pata traseira esquerda estava muito inchada após o procedimento. “Alegaram os veterinários para a tutora que precisavam realizar alguns procedimentos para salvar Chimbinha, já que tinha vários nódulos de câncer pelo corpo”, diz a advogada.
Kelly relata que, com o passar dos dias, Chimbinha foi piorando, com dores decorrentes dos procedimentos médicos veterinários realizados no hospital de Montes Claros. Uma semana após a cirurgia, quando Isabel recebeu o resultado do exame de biópsia, constava a retirada de quatro nódulos, ao invés dos dois que haviam sido autorizados pela tutora. Os nódulos, afirma a defesa, seriam de gordura, não havendo diagnóstico de câncer no animal.
Ainda segundo a defesa, Chimbinha tinha uma verruga na cabeça que foi alvo, também sem autorização, de uma intervenção que resultou, supostamente, em uma necrose na região frontal com perda da pálpebra superior e lesão corneana. “Para tratamento dessa ferida, foi necessário submeter Chimbinha a uma enucleação do globo ocular direito”, diz a advogada.
“Sem auxílio ou resposta dos profissionais do hospital em Montes Claros”, a tutora Isabel precisou levar Chimbinha para Belo Horizonte, a cerca de 422 Km de sua cidade natal, em busca de ajuda para seu cachorro. A pata traseira do animal precisou ser amputada, conforme relatórios médicos veterinários apresentados pela defesa.
“A população precisa ser alertada a sempre ouvir uma segunda, terceira opinião antes de submeter seus pets a qualquer tipo de cirurgia. Eu infelizmente confiei, não tive essa orientação e hoje meu filho está cego e aleijado com vários problemas e eu estou destruída psicologicamente e financeiramente”, relata a tutora. Ela ainda diz estar “endividada, com depressão e com a saúde acabada”. “Chimbinha nunca foi um animal/cachorro, ele é meu filho amado e por ele vou lutar até meu último suspiro”, completa Isabel.
"O caso do Chimbinha está em curso perante o Juízo da Comarca de Montes Claros. Confiamos no Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais para fazer justiça em favor do Chimbinha que já sofreu e está sofrendo até hoje em consequência dos tratamentos veterinários que acreditamos não terem sido corretos”, completa a advogada.
Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.



