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Bebê que morreu em UPA de BH ficava 'desesperado' quando via comida, diz testemunha

Menino e o irmão mais velho sofriam maus-tratos por parte da mãe e do padrasto, que eram usuários de drogas

Por e 
Imagens cedidas à Itatiaia

O menino de 1 ano e 8 meses que morreu ao dar entrada na UPA Oeste, em Belo Horizonte, sofria maus-tratos constantes por parte da mãe e do padrasto e chegava a ficar desesperado quando via vizinhos com comida, relatou uma testemunha à Itatiaia.

"Eu acho [que ele passava fome]. [Quando via vizinhos com comida] Ele entrava em desespero, já pedindo, com o olhar, chamando a gente, era incrível. O menino comia duas vasilhas de sopa sem parar", relatou.

A testemunha relatou que a mãe e o padrasto eram negligentes em vários aspectos. "Falta de alimentação, o mais velho quase não ia para a escola, [o casal] deixava eles sozinhos, é uma negligência sem comparação, de tudo. Tanto da criação, da alimentação, da limpeza da casa, tudo", afirmou.

Cirurgia no coração

Segundo a testemunha, a criança precisou passar por cirurgia para reparar um problema no coração. Mesmo assim, ele não era devidamente cuidado pelos pais.

"Em menos de 15 dias da cirurgia, eles estavam carregando ele como se fosse saco de arroz, em tempo de estourar os pontos", relembrou a testemunha.

Conselho tutelar acionado

A testemunha relatou que tanto a vítima quanto o irmão mais velho sofriam maus-tratos. Eles frequentemente apareciam sujos e com fome. Eles chegaram acionar o Conselho Tutelar, mas nada foi feito, de acordo com o relato.

Em nota, a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos informou que a família era acompanhada pelo Conselho Tutelar - Regional Oeste, "com medidas de proteção já aplicadas, com encaminhamentos formais às redes de assistência social e de saúde".

O órgão afirmou que as intervenções eram de conhecimento do Ministério Público (MPMG). "A definição quanto à guarda de crianças e adolescentes não é uma atribuição do Conselho Tutelar, mas do sistema de garantia de direitos (Ministério Público e Tribunal de Justiça)", concluiu.

A Itatiaia entrou em contato com o MPMG e com a Justiça de Minas Gerais e aguarda retorno. O espaço segue aberto.

Casal preso

O padrasto do menino, de 32 anos, e a mãe, que não teve a idade revelada, foram presos nessa quarta-feira (8) pela Polícia Civil.

Bebê chegou morto na UPA

De acordo com o boletim de ocorrência, a equipe médica relatou que a vítima chegou morta na unidade de saúde. A temperatura do corpo indicava que ela havia falecido há mais de 1 hora.

Os médicos classificaram a morte como suspeita. O cadáver tinha sinais de violência, como sangramento no nariz e na fralda e hematomas pelo corpo.

Aos policiais, o padrasto relatou que levou o enteado para a UPA após a criança vomitar. O suspeito informou que havia deixado a vítima com parentes.

Uma testemunha ouvida pela Itatiaia afirmou que a mãe e o padrasto prendiam o bebê, com o rosto tampado, em um "chiqueirinho". Além disso, denunciou que práticas de maus-tratos eram frequentes na família e que os adultos são usuários de drogas.

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Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é "cria" da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.

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Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.