Aumento da passagem de ônibus: veja o que o trabalhador poderia comprar com a diferença do valor
Levantamento do site Mercado Mineiro lista produtos da cesta básica que daria para comprar

O trabalhador de Belo Horizonte foi surpreendido com mais um aumento no preço da passagem de ônibus, que passou de R$ 4,50 para R$ 5,25. O novo valor entra em vigor a partir desta sexta-feira (29). Mas qual o impacto do reajuste na vida da população? A pedido da Itatiaia, o site Mercado Mineiro fez as contas e comparou o valor a mais que será pago, com produtos da cesta básica.
Para o trabalhador que usa dois ônibus por dia e tem jornada semanal de seis dias, o impacto é de R$ 36 por mês. No entanto, a pessoa que precisa de 4 passagens por dia (2 para ir e 2 para voltar), o impacto no final do mês sobe para R$ 72.
Segundo o economista Feliciano Abreu, o aumento na passagem pesa para o trabalhador e o também para o patrão, que muitas vezes tem que bancar o valor da passagem.
"Por exemplo, se você pagar RS 0,75 a mais, na ida e volta para o seu trabalho, você pega R$ 1,50, multiplica por 24 dias, o que da RS 36".

Ainda segundo a pesquisa, o valor de RS 36 corresponde, a 6 pacotes de feijão carioquinha de 1 kg, que hoje custa em média de RS 5,99. Esse mesmo valor pode ser comparado a 1,5 pacote de arroz de 5kg, que gira em torno de RS27. Na mesma comparação, Feliciano cita também as carnes. "Com RS 36, daria para comprar 3kg de frango desfiado ou 1,8 kg de pernil", exemplifica.
Já para o trabalhador que depende de 2 passagens para ir e voltar, a situação, aponta a pesquisa, é ainda pior. No valor do dia a dia, seria um aumento de RS 3, o que corresponde a RS 72 por mês. Para o consumidor ter ideia, esse valor é praticamente a base de uma cesta básica, na qual o pacote de arroz custa RS 26 em média, mais 1kg do frango, 2kg de feijão e 1 pente de ovos. "Isso da R$ 70 no preço médio", destaca Feliciano.
O economista lembrou que o reajuste da passagem pesa também para o patrão. "A gente sabe que muitas vezes os patrões não vão aguentar esse aumento. E isso pode acabar gerando demissões. Ninguém teve um aumento de 16,67% nos últimos meses ou ano. Então, fica complicado para o trabalhador que vai ter mais dificuldade de arrumar emprego. Principalmente aqueles que moram longe do local em que trabalha".
Indignação
Para muitos trabalhadores, o reajuste de 16,67% é absurdo. O zelador Manuel dos Santos, que pega ônibus diariamente na estação Diamante no Barreiro, ironizou ao dizer que é um presente de Natal.
"É um absurdo, né? Esse aumento dessa passagem pegou todo mundo de surpresa e eu acho que o prefeito está de parabéns, um presentão esse daí. Ainda mais de última hora, já que ninguém estava esperando esse aumento arbitrário, né? Sem condição para a população".
A doméstica Modesta Pereira, avalia o aumento de maneira semelhante. "Um absurdo o aumento da passagem, não tem qualidade de ônibus. Eu fico meia hora no ponto de ônibus. Nas estações fica um tumulto, não tem aonde a gente passar, as filas dobram o passeio. Tem coletivo que não tem ar, não tem janela, quando chove, chove mais dentro do ônibus do que fora".
Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou que o valor da passagem não era reajustado desde 2018. Entretanto, no mês de julho deste ano o valor subiu para RS 6, mas voltou RS 4,50 após subsídio liberado pela PBH.
Aumento no transporte Metropolitano
O aumento pesou também para quem depende dos ônibus metropolitano. Quem transita da capital para a região metropolitano, a passagem que antes era de RS 7,20, foi para RS 7,70, um aumento de RS 0,50, o que da 7%.
Por meio de nota, o Governo de Minas informou que as empresas de ônibus queriam um aumento de 29%,7, entretanto foi autorizado então um reajuste de 7%.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.
Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está como editor de Cidades, Brasil e Mundo.

