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Assembleia na segunda (12) vai definir rumos da greve em hospitais da Fhemig

Enfermeiros e trabalhadores administrativos dizem não ter sido notificados de decisão do TJMG ordenando suspensão da paralisação que começou quatro dias atrás

Por e 
João XXIII é um dos hospitais da rede Fhemig
Projeto é criticado pela oposição, que vê "gana privatista" na proposta • Gustavo Cícero/Itatiaia

As lideranças da greve deflagrada por funcionários da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) afirmam não terem sido notificados da decisão judicial que determinou a suspensão do movimento. De braços cruzados desde o início desta semana, enfermeiros e funcionários administrativos das casas de saúde foram convocados para assembleia geral na segunda-feira (12), a fim de definir os rumos da paralisação.

Na quarta-feira (7), o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG)  atendeu a um pedido da Advocacia-Geral do Estado (AGE) e ainda determinou a aplicação de multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento da decisão que determinou o fim da greve. O movimento afeta unidades como os hospitais João XXIII, Alberto Cavalcanti e Júlia Kubitschek, em Belo Horizonte.

À Itatiaia, porém, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Rede Fhemig (Sindpros), Carlos Augusto Martins, garantiu que a entidade não tem conhecimento do teor do despacho judicial. Segundo ele, a reunião da próxima segunda-feira vai acontecer durante a tarde, na porta da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na Região Centro-Sul de BH.

“Faremos uma avaliação do movimento e discutiremos sobre a situação da judicialização do movimento”, disse.

Informações oficiais da Fhemig dão conta de que a rede assistencial mantida pela fundação possui 20 unidades espalhadas pela Região Metropolitana de BH e pelo interior mineiro. O quadro de funcionários tem mais de 13 mil profissionais — vale lembrar, contudo, que os médicos não compõem o movimento grevista.

Entenda a greve

O movimento foi convocado em protesto a resoluções publicadas pelo governo de Minas Gerais no início do ano. A avaliação das lideranças é que os textos “retiram direitos básicos dos trabalhadores, além de sucatear os serviços com o propósito de terceirizá-los”.

Segundo Carlos Augusto Martins, profissionais plantonistas podem ter suas jornadas de trabalho aumentadas sem que haja compensação financeira. Ele relata, ainda, problemas repassados aos pacientes.

“A resolução altera, por exemplo, o sistema de trabalho do laboratório de oncologia do Hospital Alberto Cavalcanti. O serviço, prestado à população durante os sete dias da semana, agora, passará a ser feito apenas nos cinco dias úteis. Os trabalhadores terão de mudar sua jornada para diarista — em vez de plantonista”, criticou.

Em nota enviada à imprensa, a Fhemig informou que mantém diálogo com os servidores e que o governo estadual faz estudos para definir providências relativas às solicitações, levando-se em consideração os limites estabelecidos pela lei.

A fundação encerra a nota afirmando que com relação à jornada de trabalho que os trabalhadores denunciam, segue os mesmos parâmetros das demais fundações e que, portanto, não há nenhum aumento na carga de trabalho.

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Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.