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Após protesto na BR-381, acordo entre aldeia indígena e Governo Federal começa a valer nesta segunda (2)

Indígenas da aldeia Katurãma manifestavam pedindo água, medicamentos e atenção à saúde das crianças do grupo

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Protesto na BR-381, em São Joaquim de Bicas • Imagens cedidas à Itatiaia

As condições acordadas entre indígenas da aldeia Katurãma e a Secretaria de Saúde Indígena (SESAI) para o fim das manifestações realizadas na BR-381, em São Joaquim de Bicas, na região metropolitana de Belo Horizonte, começam a valer nesta segunda-feira (2).

Os povos indígenas reivindicavam uma melhor assistência de saúde tendo em vista que duas crianças foram hospitalizadas com febre, diarreia e lesões na pele — o que levou a suspeita de uma infecção por Varíola dos Macacos, suspeita é essa que foi negada pela Secretaria Estadual de Saúde. A pasta descartou a possibilidade de um surto da doença na aldeia.

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Muito emocionada, a cacique da aldeia contou sobre as dificuldades enfrentadas pela aldeia: “Para conseguimos acesso à saúde pela SESAI, a gente teve que ficar quase 24 horas com a pista fechada com as nossas crianças”.

"Dezessete pessoas da comunidade foram isoladas. Nós só tivemos o apoio da saúde do município que não está preparado para uma epidemia de uma doença que ainda nem sabe o que é. Não estamos aqui para baderna, estamos exigindo que o Governo Federal cumpra com seu papel", acrescentou.

A advogada da aldeia, a Priscila Nogueira, explicou que transporte, dedetizações e melhor distribuição da água estão entre os pontos combinados com a pasta e com a Copasa.

"Conseguimos fechar com a Copasa, que vão intermediar e fazer ligação para cada casa. Conseguimos fechar com a SESAI para que eles sedam um carro provisório por 60 dias e, após esses 60 dias, ficou decidido que um carro definitivo ficará responsável pelas consultas dos indígenas no território", disse.

Os protestos duraram mais de 20 horas, causando cerca de 20 km de congestionamento no sentido BH. Após várias horas de negociação foi combinado um acordo com melhorias na assistência da saúde da aldeia.

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Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia desde 2022, trabalhou na produção de matérias para a rádio, na Central Itatiaia de Apuração e foi produtora do programa Itatiaia Patrulha. Atualmente, cobre factual e é repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.