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Advogado de biomédica presa por morte de paciente em MG pede anulação de provas

Lorena Marcondes foi indiciada por homicídio doloso após uma de suas pacientes morrer ao se submeter a uma lipoaspiração; profissional está em prisão domiciliar desde o dia 9 de maio

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A biomédica foi indiciada por homicídio com dolo eventual pela Polícia Civil por morte de paciente durante procedimento estético em Divinópolis (MG), em 2023 • Redes sociais

A defesa da biomédica Lorena Marcondes, profissional de Divinópolis (MG) indiciada pela Polícia Civil por homicídio doloso, protocolou, nessa segunda-feira (17), um pedido para que a Justiça cancele a Audiência de Instrução e Julgamento da ré, e revogue todas as medidas cautelares contra a biomédica. Lorena está em prisão domiciliar desde o dia 9 de maio deste ano.

Segundo o advogado Tiago Lenoir Moreira, a Polícia Civil demorou meses para formalizar o recolhimento das provas colhidas na clínica da profissional no dia 8 de maio de 2023, quando uma das suas pacientes morreu após se submeter a uma lipoaspiração.

A defesa afirma que obteve acesso a diversas Fichas de Acompanhamento de Vestígios que demonstram que houve quebra de cadeia de custódia, quando a integridade da prova não pode ser garantida e ela se torna ilegal. Segundo Moreira, não há como garantir que as provas não foram adulteradas, já que não se sabe o que aconteceu com elas do momento em que foram colhidas até serem registradas na Polícia Civil.

"A supracitada Ficha de Acompanhamento de Vestígios levanta uma estranheza descomunal e descaso com a prova processual. Os fatos narrados na denúncia ocorreram em 08/05/2023 e como que foi coletado e arrecadado importantes materiais de ordem médica e biomédica no dia 30/08/2023? De igual forma, não existe qualquer ordem judicial de busca e apreensão para arrecadação de objetos para a data e local mencionado", diz trecho do documento.

Relembre o caso

Irís Dorotéia do Nascimento Martins, de 46 anos, morreu no dia 8 de maio de 2023 durante um procedimento estético em uma clínica de Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas. A responsável pela operação foi a biomédica Lorena Marcondes de Faria. Íris teria pago R$ 12 mil para realizar a lipoescultura. A vítima sofreu duas paradas cardiorrespiratórias e precisou ser levada para o Hospital São João de Deus, onde morreu horas depois.

Segundo a Polícia Civil, essa cirurgia só pode ser feita com a presença de um médico e de um anestesiologista. A clínica não possuía equipamentos básicos, como monitor cardíaco, e o laser que seria usado no procedimento não tinha chegado no local no momento em que a cirurgia começou.

A profissional e a enfermeira que a auxiliava nas cirurgias foram presas preventivamente após o caso, mas foram beneficiadas com um habeas corpus e progrediram para a prisão domiciliar. Mesmo em prisão domiciliar, a biomédica continuava oferecendo lipoaspiração em suas redes sociais, mesma cirurgia que causou a morte de Íris Martins.

Cerca de 15 dias após a reportagem da Itatiaia, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) suspendeu a licença da biomédica. Lorena também é citada em três processos na Justiça por erro médico. Um deles envolve um modelo que teria ficado com a boca deformada após passar um procedimento estético com a mesma profissional em Divinópolis (MG).

Lorena voltou a ser presa no fim de março de 2024 em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte. Dois dias depois, a Polícia Civil confirmou o indiciamento da profissional por homicídio doloso qualificado pelo motivo torpe e pela traição com dolo eventual. Ela segue detida no Presídio de Floramar.

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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.