Professor é preso suspeito de pedir fotos íntimas de alunos em troca de notas
Vítimas são estudantes do sexo masculino com idades entre 10 e 16 anos; casos teriam acontecido em 2023 e 2024, no Espírito Santo

A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) prendeu na última quinta-feira (8) um professor, de 46 anos, suspeito de aliciar, assediar e abusar sexualmente de seus alunos. Segundo a polícia, o homem oferecia melhorias nas notas escolares e valores em dinheiro em troca de favores sexuais e imagens de conteúdo pornográfico.
A prisão ocorreu após as investigações reunirem denúncias em pelo menos duas cidades da Grande Vitória: Serra e Vila Velha. As vítimas, identificadas até o momento, são crianças e adolescentes do sexo masculino com idades entre 10 e 16 anos.
Segundo a PCES, o caso começou a ser investigado em novembro de 2024, quando a mãe de um adolescente procurou a Delegacia Especializada Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), na cidade de Serra. A família foi acionada pela própria escola. A partir dessa denúncia inicial, a polícia identificou um segundo caso envolvendo o mesmo suspeito, desta vez no município de Vila Velha, com mais quatro vítimas.
De acordo com a delegada Thais Cruz, que responde pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, o professor se aproveitava da posição de autoridade para abordar estudantes com dificuldades escolares. “Ele selecionava adolescentes com baixo rendimento e oferecia vantagem acadêmica em troca de fotos íntimas”, explicou. Em mensagens analisadas pela polícia, o investigado afirmava que bastava o aluno escrever o nome na prova, enquanto ele cuidaria do restante da avaliação, exigindo, em contrapartida, imagens dos órgãos genitais.
As investigações apontam que a aproximação inicial acontecia dentro das escolas, durante intervalos e recreios. Após deixar as unidades de ensino, o suspeito mantinha contato com as vítimas por meio de redes sociais. Nesse período, segundo a polícia, ele deixou de oferecer notas e passou a pagar pelas imagens, com transferências via Pix que variavam entre R$10 e R$50.
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, foram recolhidos celulares e outros dispositivos eletrônicos do professor. A análise do material revelou, segundo os investigadores, uma grande quantidade de conteúdo de abuso sexual infantil e adolescente. O suspeito organizava os arquivos de forma sistemática, separando pastas com iniciais de escolas e das vítimas, além de manter uma pasta intitulada “ex-alunos", com imagens de adolescentes ainda não identificados.
A polícia também apura casos de violência sexual com contato físico. Um adolescente de 12 anos relatou que foi tocado pelo professor no banheiro da escola, durante o intervalo das aulas. Após o episódio, o suspeito teria passado a intimidar o aluno, afirmando conhecer o endereço da família e exigindo que ele acessasse sites de pornografia infantil, cobrando posteriormente um retorno sobre o conteúdo visualizado.
Para o delegado-geral da PCES, José Darcy Arruda, mesmo quando não há agressão física direta, os danos causados são profundos. "Aparentemente, não há violência física nesse comportamento. Mas a violência psicossocial é muito séria. A paz de espírito dessas crianças, desses adolescentes, vai ficar marcada. Queremos que ele pague com pena máxima", afirmou.
O investigado atuava como professor substituto nas redes municipais de Serra e Vila Velha desde 2023, além de trabalhar como músico. Segundo a polícia, ele utilizava essas duas atividades para ganhar a confiança dos adolescentes. Mesmo permanecendo poucos meses em cada escola, os investigadores afirmam que ele deixava um histórico de vítimas por onde passava.
O professor ficou foragido ao longo de 2025 e foi localizado após trabalho de inteligência com apoio da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Serra e da Guarda Municipal. Ele foi preso no dia 8 de janeiro, levado à DPCA e, durante o interrogatório, optou por permanecer em silêncio, exercendo o direito constitucional. Em seguida, foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



