São Paulo tem 68,75% das cidades em situação mais crítica em relação à dengue
A maior parte das mortes por dengue no país registradas até agora, também, ocorreram em São Paulo: 70,9% dos 430 óbitos foram no estado

Das 80 cidades destacadas pelo Ministério da Saúde como as que estão em situação mais crítica em relação à dengue, 55 estão em São Paulo, informou o governo federal nesta terça-feira (8). Isso representa 68,75% dos municípios com alta transmissão da doença ou com número de casos em ascensão. A maior parte das mortes por dengue no país registradas até agora, também, ocorreram em São Paulo: 70,9% dos 430 óbitos foram no estado.
Para reduzir o número de casos graves e óbitos, o Ministério da Saúde anunciou, também nesta terça-feira, novas ações de enfrentamento à doença, em apoio aos estados e municípios mais críticos. O foco inicial são as 80 cidades tidas como prioritárias.
Já neste primeiro momento, a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) estará “preparada para atender a essas cidades com até 150 centros de hidratação de até 100 leitos cada”, conforme a pasta. O investimento somado é de R$ 300 milhões para os municípios.
Os espaços são destinados ao acolhimento e hidratação oral e venosa de pacientes com dengue, com objetivo de evitar agravamento na situação clínica e possíveis internações.
Eles podem ser instalados em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) ou em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Também há possibilidade de que espaços adaptáveis, como auditórios, bibliotecas e refeitórios, sejam usados para instalação das estruturas caso necessário.
Cidade que lidera o ranking de maior número de casos da doença, São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, já recebeu mais de 3,6 mil atendimentos, conforme o Ministério da Saúde.
Em comunicado à imprensa, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que prioriza o atendimento nos 80 municípios onde há maior pressão sobre os serviços de saúde. “Estamos preparados para apoiar com reorganização da rede assistencial e foco na redução de casos graves e óbitos. A Força Nacional do SUS está à disposição desses municípios”, declarou.
“Nosso segundo foco é garantir que os demais estados e municípios do país não baixem a guarda. A redução de casos e óbitos não é motivo para interromper a vigilância, a mobilização e o acolhimento das ações. Já atendemos 100% das demandas por insumos feitas por estados e municípios e vamos continuar vigilantes”, ponderou.
Todas as 80 cidades prioritárias receberão apoio do Ministério da Saúde para “elaborar estratégias de expansão da cobertura vacinal” com ações como “busca ativa de não vacinados, monitoramento de estoques e garantia do abastecimento”.
Além disso, 16 cidades passarão a ofertar a vacina da dengue pela primeira vez: Itaituba (PA), Botucatu (SP), Loanda (PR), Conchas (SP), Promissão (SP), Querência do Norte (PR), Mirandópolis (SP), Cruzeiro do Sul (AC), Curitiba (PR), Espírito Santo do Pinhal (SP), Monte Santo (BA), Rancharia (SP), Lins (SP), Redenção (PA), Santa Cruz de Monte Castelo (PR) e Novo Progresso (PA).
A secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente da pasta, Mariângela Simão, reforça que a preocupação atual é com o agravamento dos quadros clínicos dos pacientes com dengue. “O que mais nos preocupa neste momento são os óbitos. Como médica, afirmo: todo óbito por dengue, em princípio, é evitável. Tivemos uma redução no número de mortes em comparação ao mesmo período de 2023 — foram 2.500 óbitos a menos no primeiro trimestre —, mas ainda assim já somamos 430 mortes confirmadas neste ano. Desses, 305 ocorreram em São Paulo, 34 no Paraná e 32 em Minas Gerais”, destacou Mariângela.
Lista das 80 cidades prioritárias
- SÃO JOSÉ DO RIO PRETO (SP)
- RIBEIRÃO PRETO (SP)
- CAMPINAS (SP)
- MARÍLIA (SP)
- PRESIDENTE PRUDENTE (SP)
- SÃO CARLOS (SP)
- GOIÂNIA (GO)
- BAURU (SP)
- SERTÃOZINHO (SP)
- SÃO JOSÉ DOS CAMPOS (SP)
- ARAÇATUBA (SP)
- ARARAQUARA (SP)
- HORTOLÂNDIA (SP)
- BIRIGUI (SP)
- AMERICANA (SP)
- CATANDUVA (SP)
- SOROCABA (SP)
- APARECIDA DE GOIÂNIA (GO)
- ASSIS (SP)
- OURINHOS (SP)
- CASCAVEL (PR)
- OSASCO (SP)
- RIO BRANCO (AC)
- LONDRINA (PR)
- SALTO (SP)
- SUMARÉ (SP)
- TATUÍ (SP)
- ITU (SP)
- CAMBÉ (PR)
- JACAREÍ (SP)
- BARRETOS (SP)
- PAULINIA (SP)
- FOZ DO IGUAÇU (PR)
- VITÓRIA DA CONQUISTA (BA)
- ITAITUBA (PA)
- SANTANA DE PARNAÍBA (SP)
- TOLEDO (PR)
- BOTUCATU (SP)
- SÃO PAULO (SP)
- IBITINGA (SP)
- JAGUARIÚNA (SP)
- MATÃO (SP)
- VOTUPORANGA (SP)CÂNDIDO MOTA (SP)
- GUARULHOS (SP)
- LOANDA (PR)
- CONCHAS (SP)
- NOVO HORIZONTE (SP)
- MANDAGUAÇU (PR)
- PROMISSÃO (SP)
- AMÉRICO BRASILIENSE (SP)
- PIRASSUNUNGA (SP)
- TAQUARITINGA (SP)
- QUERÊNCIA DO NORTE (PR)
- JABOTICABAL (SP)
- PIRACICABA (SP)
- MIRANDÓPOLIS (SP)
- GUARARAPES (SP)
- MIRASSOL (SP)
- CRUZEIRO DO SUL (AC)
- GUAPIACU (SP)
- CURITIBA (PR)
- VINHEDO (SP)
- SÃO ROQUE (SPA)
- ESPÍRITO SANTO DO PINHAL (SP)
- MONTE SANTO (BA)
- ENGENHEIRO COELHO (SP)
- JATAIZINHO (PR)
- RANCHARIA (SP)
- FLORESTÓPOLIS (PR)
- LINS (SP)
- ARTUR NOGUEIRA (SP)
- CEDRAL (SP)
- PRIMEIRO DE MAIO (PR)
- MARINGÁ (PR)
- REDENÇÃO (PA)
- SANTA CRUZ DE MONTE CASTELO (PR)
- NOVO PROGRESSO (PA)
- NATAL (RN)
- SALVADOR (BA)
Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.



