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Primeiro leilão de energia do ano eleva expectativa de investimentos para “lote recorde“ de dezembro, dizem especialistas

Lotes leiloados no final do ano formam o maior conjunto de empreendimentos de transmissão já licitado pela Aneel, com expectativa de investimento de R$ 19,7 bilhões

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Primeiro leilão de energia eleva expectativa em investimentos
Primeiro leilão de energia eleva expectativa em investimentos • Agência Brasil

O resultado do primeiro leilão de transmissão de energia de 2023 eleva as expectativas de investimentos para o edital seguinte, que acontece em dezembro — segundo especialistas consultados pela CNN.

No leilão da última sexta-feira (30), nove lotes foram vendidos, com deságio de 50,97% e R$ 15,7 bilhões em investimentos potencialmente captados para o setor elétrico.

Segundo a gestão federal, os três lotes leiloados no final do ano formam o maior conjunto de empreendimentos de transmissão já licitado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), com expectativa de investimento de R$ 19,7 bilhões.

“Considerando o resultado do primeiro leilão e as perspectivas econômicas do país para os próximos meses, estimamos que haverá grande disputa no próximo leilão. Essa grande disputa poderá impulsionar o valor dos investimentos feitos pelos concorrentes”, aponta Adriano Correia, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo (Ibef-SP.)

Pesquisador do Centro de Estudos e Regulação em Infraestrutura (Ceri) da Fundação Getulio Vargas (FGV), Romário Batista reitera a expectativa positiva para futuros leilões, mas destaca que a maior parcela de investimentos previstos para o próximo certame está associada a ativos “cujo universo de potenciais fabricantes é restrito”.

Joaquim Queiroz, sócio da área de Energia de Giamundo Neto Advogado, reitera a avaliação sobre a LT ±800 kV CC Graça Aranha – Silvânia e respectivas estações conversoras.

“Chama atenção o fato de que serão apenas três lotes, sendo um deles de grande complexidade técnica e investimentos muito expressivos, o que pode afugentar grupos sem fôlego financeiro e experiência comprovada”, explica.

Sucesso no primeiro leilão

Os três especialistas concordam que o leilão, a partir dos termos finais, pode ser considerado um sucesso por parte da Aneel.

“Penso que, por qualquer ângulo de avaliação, o mega leilão de transmissão foi bastante exitoso. Garantem-se investimentos da ordem de R$ 15,7 bilhões na expansão do sistema de transporte de energia, principalmente para o escoamento de geração de fontes renováveis, do Nordeste para o Sudeste”, diz Romário Batista.

Joaquim Queiroz — apesar de concordar com a avaliação — destaca que “o mercado vem acompanhando com maior atenção à vitória de um consórcio sem trajetória no segmento de transmissão e, tampouco, no setor elétrico”.

Ao comentar o momento positivo para o setor, Adriano Correia indica que esse avanço é puxado, nos últimos anos, pela geração de energias renováveis, especialmente solar e eólica (fontes fundamentais para a transição energética).

“Essas fontes demandam maior capacidade de transmissão, especialmente em função da maior parte dos projetos estarem localizados no Nordeste do país e a maior fonte de consumo no Sul e Sudeste. Por isso, esses leilões eram tão relevantes para o desenvolvimento do setor”, explica.

O pesquisador do Ceri da FGV reconhece as “vantagens comparativas” do Brasil para transição energética, mas destaca outro elemento. Segundo o especialista, os avanços também devem especialmente a fatores ligados à reconhecida segurança regulatória desse segmento no Brasil.

“Anuidades por 30 anos, risco de inadimplência próximo de zero, prazos elásticos para implantação de empreendimentos e possibilidade de antecipação de receitas, etc”, enumera destaques positivos do modelo regulatório.

O certame de dezembro

O edital de dezembro prevê construção e manutenção de 4.471 quilômetros em linhas de transmissão e de 9.840 megawatts (MW) em capacidade de conversão nas subestações.

Os três lotes em questão envolvem a construção de nove empreendimentos em cinco estados – Goiás, Maranhão, Minas Gerais, São Paulo e Tocantins. Com prazos de construção entre 60 e 72 meses, eles têm a previsão de gerar 36 mil empregos.

Dentre os lotes apresentados, destaca-se o primeiro, que inclui a entrega de aproximadamente 1.468 km de linhas de transmissão em corrente contínua, atravessando três estados (Maranhão, Tocantins e Goiás).

O conjunto a ser licitado concentra o maior investimento previsto em um lote já leiloado pela Aneel: R$ 15,9 bilhões

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