Pior que no deserto: calor e baixa umidade fazem Brasil superar Saara e causam “efeito air-fryer”
Ao contrário do deserto, que tem noites frias, BH e outras cidades sofrem bloqueio atmosférico e vivem noites quentes

A forte onda de calor segue elevando as temperaturas em quase todo o Brasil. E não é exagero comparar com clima de deserto! De fato, o calor intenso e a baixa umidade podem ser considerados semelhantes ou até mais críticos que o deserto do Saara.
Segundo o professor de geografia e cientista do clima, Lucas Oliver, nesta semana o Brasil o superou o deserto do Saara. No Saara a umidade do ar varia de 14% a 20%, explica Lucas. No Brasil, 244 cidades registraram índices menores, de até 12% na terça-feira (3), segundo levantamento do portal g1 junto ao Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
'A diferença é que no deserto fica frio durante a noite, e no Brasil o bloqueio atmosférico impede que o ar resfrie. Por isso, além do calor intenso intenso durante o dia, as temperaturas também ficam elevadas a noite', explica o professor.
Bloqueio atmosférico
O professor Lucas explica que o bloqueio atmosférico é a causa do recorde de estiagem. O fenômeno ocorre quando uma área de alta pressão atmosférica persiste no centro do país, impedindo a circulação das massas de ar frio.
'O ar quente que sobe ele encontra uma alta pressão que o empurra de volta para a superfície. É a mesma dinâmica da air fryer. Ar quente circulando numa bolha fechada', compara Oliver.
Com isso, o bloqueio não deixa as frente frias e chuvas avançarem para o restante do país, que ficam 'presas' no Sul, causando as precipitações fora do normal, além do calor fora de época no Centro-Oeste e Sudeste.
*Sob supervisão de Marina Borges.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



