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'Nunca precisou roubar', diz filho de mulher que levou 'Tio Paulo' a banco no RJ

Érika de Souza Vieira Nunes, de 42 anos, foi presa após levar o cadáver do tio em uma agência bancária para tentar sacar um empréstimo de R$ 17 mil; família alega problemas psiquiátricos

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Caso repercutiu no Brasil e no mundo • Reprodução/Redes Sociais

O filho de Érika de Souza Vieira Nunes, de 42 anos, presa por levar o tio morto para tentar sacar um empréstimo de R$ 17 mil em uma agência bancária de Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, defendeu a mãe em uma entrevista exclusiva ao Fantástico, nesse domingo (21).

Érika está presa preventivamente por tentativa de furto e vilipêndio de cadáver. A defesa dela alega que Paulo Roberto Braga, de 68 anos, chegou vivo ao banco, mas a polícia afirma que ele já estava morto.

O laudo do IML apontou que o idoso morreu de broncoaspiração, mas não soube precisar a hora exata da morte. Em depoimento à polícia, o motorista de aplicativo que levou Érika e o tio até o banco afirmou que ele estava vivo quando chegou ao local.

Problemas psiquiátricos

A família apresentou laudos psiquiátricos, emitidos em 2022, solicitando que Érika fosse internada. No pedido, o médico disse que a mulher é dependente de sedativos, tem depressão, pensamentos suicidas e alucinações auditivas.

Em 2023, o médico pediu por uma nova internação por por dependência de sedativos e hipnóticos. À polícia, Érika disse que não percebeu que o tio havia morrido ainda na agência bancária.

"Uma pessoa que tem problema psiquiátrico pode não entender que o tio está morto, mas, certamente, ela também não ia entender que tinha que pegar o dinheiro. A pessoa não pode ter uma consciência seletiva", rebateu o delegado.

A defesa dela reconhece a situação, mas vê esse momento de conversa com o tio como um sinal de “negação” diante do que acabara de acontecer. “Ela não aceitou que ele poderia estar desfalecido”, disse a advogada Ana Carla de Souza Correa. “Gostaria que as pessoas fossem mais sensíveis”, reforçou o filho.

Quem era 'Tio Paulo'

Paulo Roberto Braga era motorista de ônibus e tinha quatro irmãos, que moravam em outros estados e com quem ele dificilmente tinha contato. Por isso, morava com Erika e três dos seis filhos da sobrinha em Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

De acordo com parentes, ‘Tio Paulo’ não tinha filhos, nunca foi casado e morava com a parte da família ligada à sobrinha Erika há 15 anos.

Os parentes contaram ainda que a piora no quadro de saúde ocorreu por causa do consumo de bebida alcoólica. Nas últimas semanas de vida, ‘Tio Paulo’ já estava bastante debilitado e tinha muita dificuldade para andar. Erika era responsável por boa parte dos cuidados dele.

O corpo de 'Tio Paulo' foi enterrado no último sábado (20), quatro dias depois de ser levado por Erika à agência bancária em Bangu, no Rio de Janeiro.

Idoso dormia em garagem

O Fantástico também revelou que ‘Tio Paulo’ passou os últimos dias de vida em uma garagem improvisada como quarto. A família explicou que o idoso ficava em um quarto no segundo andar, mas, em razão da piora no quadro de saúde, passou a ficar, durante na garagem durante o dia, para evitar subir escadas.

O quarto improvisado era de chão batido e telhas de metal. O cômodo tinha apenas uma cama, um vaso solto e uma mesa de plástico. Um pano improvisado cobria uma abertura no local, que não tinha janela.

A reportagem também mostrou que o idoso não tinha renda até agosto de 2023, quando passou a receber um benefício do Governo Federal para idosos com mais de 65 anos e baixa renda, o BPC-Loas, no valor de um salário-mínimo.

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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.