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Seca severa leva Roraima a proibir queimadas e usar monitoramento via satélite

O estado enfrenta uma combinação de calor intenso, falta de chuvas e baixa umidade do ar, que elevou o perigo de incêndios florestais. Em Boa Vista, as temperaturas devem variar entre 35 ºC e 37 ºC nos próximos dias, com sensação térmica ainda maior

Por, Boa Vista
Roraima coíbe queimadas em período do ano com altas temperaturas
Roraima coíbe queimadas em período do ano com altas temperaturas • Prefeitura de Boa Vista

O governo de Roraima suspendeu todas as autorizações para queimadas no estado, diante do avanço da seca e do aumento nos focos de calor. A medida foi anunciada na quinta-feira (15) e tem validade inicial de 15 dias.

Com a decisão, o uso do fogo por produtores rurais para limpeza de pastos e áreas de plantio passa a ser enquadrado como crime ambiental. A Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh) vai monitorar possíveis infrações via satélite, cruzando a localização dos focos com dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR).

O estado enfrenta uma combinação de calor intenso, falta de chuvas e baixa umidade do ar, que elevou o perigo de incêndios florestais. Em Boa Vista, as temperaturas devem variar entre 35 ºC e 37 ºC nos próximos dias, com sensação térmica ainda maior.

Risco de fogo no estado

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) aponta que a probabilidade de os termômetros superarem 35 ºC passa de 90% no nordeste e no centro-leste do estado até 19 de outubro. À tarde, a umidade relativa do ar pode cair para 30% ou menos nessas regiões. Esse ressecamento prejudica a respiração da população e deixa a vegetação vulnerável ao fogo.

O mapa de risco meteorológico elaborado pelo Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional Federal (Ciman Federal), em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Prevfogo, classifica o perigo entre os dias 15 e 18 de outubro como "alto a muito alto" no nordeste e no leste do estado. A porção oeste de Roraima é a única que apresenta risco baixo nesse período.

A partir do dia 18, o alerta recua no sul e no sudeste, mas o leste e o nordeste seguem em atenção, com risco variando de moderado a alto. As regiões de Uiramutã e Amajari, no extremo norte do estado, também se enquadram no cenário de calor persistente e chuvas fracas.

Dificuldade no combate às chamas

Um levantamento do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ) mostra que a dificuldade das equipes para controlar as chamas em Roraima cresceu desde agosto. O indicador de dificuldade já supera a média histórica dos últimos 20 anos.

O reflexo da estiagem também é visível no principal curso d'água do estado. O nível do rio Branco, em Boa Vista, chegou a apenas 49 centímetros de profundidade nesta sexta-feira (16).

Chuvas escassas até o fim de outubro

Uma previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica que as precipitações continuarão escassas e mal distribuídas até pelo menos o fim de outubro. Na primeira semana de análise, choveu pouco ou quase nada no centro e no norte de Roraima. Pequenas pancadas isoladas podem ocorrer no extremo sul e sudoeste, sem força para umedecer o solo de forma generalizada.

Entre 21 e 27 de outubro, a tendência é de chuvas ainda mais abaixo da média histórica. A seca deve se intensificar nas faixas norte e leste do território roraimense.

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