Professor de jiu-jitsu é condenado a mais de 178 anos de prisão no AM
Investigações começaram após três ex-alunos denunciarem o caso à Polícia Civil; ao menos 12 adolescentes teriam sido vítimas ao longo de cerca de 15 anos

O professor de jiu-jitsu Alcenor Alves Soeiro foi condenado a 178 anos e 5 meses de reclusão, além de 3 anos de detenção e pagamento de multa, por crimes de abuso sexual cometidos contra alunos no Amazonas. A sentença foi publicada pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) nesta quinta-feira (19).
As investigações tiveram início após três ex-alunos procurarem a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) para denunciar os abusos. Segundo as autoridades, outras vítimas passaram a relatar episódios semelhantes após a prisão do professor, ocorrida em 2024.
Crimes ocorreram entre 2011 e 2018
De acordo com a sentença, os abusos foram cometidos entre 2011 e 2018 contra adolescentes que treinavam sob a orientação de Alcenor. A juíza Dinah Câmara Fernandes determinou que a pena seja cumprida inicialmente em regime fechado.
"Fixou-se a pena definitiva em 178 anos e 5 meses de reclusão, 3 anos de detenção e 15 dias-multa", afirma trecho da decisão.
A magistrada também negou ao réu o direito de recorrer em liberdade e manteve a prisão preventiva.
Vítimas receberão indenização
Além da condenação criminal, Alcenor Alves Soeiro foi condenado a indenizar as vítimas por danos morais.
Uma delas deverá receber R$ 5 mil, enquanto as demais terão direito a R$ 50 mil cada, valores que serão corrigidos monetariamente e acrescidos de juros.
Polícia aponta que ao menos 12 adolescentes foram vítimas
Segundo a Polícia Civil, o professor se aproveitava da posição de treinador de jiu-jitsu e do cargo de diretor de alto rendimento em uma tradicional escola particular de Manaus para se aproximar dos atletas.
As investigações apontam que os abusos ocorreram ao longo de aproximadamente 15 anos e atingiram pelo menos 12 adolescentes.
Professor usava viagens e presentes para ganhar confiança, diz polícia
De acordo com a PC-AM, o investigado seguia um padrão para cometer os crimes e dificultar as denúncias.
Entre os relatos das vítimas, estão o uso de medicamentos para induzir o sono durante viagens para competições e na residência do professor, que também funcionava como alojamento para atletas.
Ainda segundo a polícia, ele custeava passagens aéreas, inscrições em campeonatos e oferecia presentes, como equipamentos esportivos e videogames, para conquistar a confiança dos jovens e de suas famílias.
Na época da prisão, a Justiça do Amazonas considerou que havia risco de intimidação de testemunhas e indícios de que o investigado planejava deixar o país, motivo pelo qual foi decretada a prisão preventiva.
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.



