Polícia Federal investiga possíveis incêndios criminosos no Amazonas
Procedimentos abertos são dedicados a apurar incêndios em sete municípios; entre 2023 e 2026, 113 pessoas foram indiciadas por crimes ambientais de acordo com a Polícia Federal

A Polícia Federal (PF) divulgou, nesta quarta-feira (21), que investiga possíveis incêndios criminosos no Amazonas. Os trabalhos incluem identificar as causas e os responsáveis pelas ocorrências registradas recentemente. Já foram abertos nove inquéritos ao longo do novo período de queimadas que atinge o estado.
Os procedimentos abertos são dedicados a apurar incêndios em sete municípios: Autazes, Careiro Castanho, Careiro da Várzea, Manaquiri, Manaus, Iranduba e Canutama.
Entre as medidas que a PF adotou estão o acompanhamento semanal de alertas de incêndio, com base em dados de satélite, e a requisição de informações a órgão federais, estaduais e municipais.
Também estão previstos sobrevoos em áreas de interesse investigativo para auxiliar na investigação de possíveis pontos de origem do fogo.
Cenários de investigações
Entre 2023 e 2026, a unidade responsável pelas investigações da Polícia Federal abriu 516 inquéritos policiais a crimes ambientais. Do total, 11 eram sobre incêndios.
No mesmo período, 228 pessoas foram identificadas como possíveis autoras dos crimes, e 113 foram indiciadas.
Atualmente, 186 inquéritos policiais ambientais seguem em andamento, com a PF atuando em cooperação com o Ibama.
Queimadas no Amazonas
No último sábado (17), 11 pessoas foram presas por envolvimento com crimes ambientais em Autazes, no Amazonas, município a 267 quilômetros de Manaus.
As prisões ocorreram durante ação da força-tarefa da Polícia Militar do Amazonas no combate às queimadas. Os nomes dos detidos não foram divulgados.
Ainda no fim de semana, o governo do Amazonas decretou situação de emergência em 36 cidades. Na ocasião, também foram divulgados números relacionados a ocorrências de queimadas:
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas combateu 22.974 focos de incêndio, sendo 4.668 na capital e 18.306 no interior. Também foram contabilizados 66 boletins de ocorrência por incêndio e 151 por desmatamento.
Além disso, o Instituo de Proteção Ambiental do Amazonas aplicou mais de R$ 167 milhões em multas e fez 421 embargos, que abrangem uma área superior a 65 mil hectares.
Medidas de prevenção
Para conter os focos de incêndio, os bombeiros operam de forma reforçada em 36 municípios mobilizando cerca de 1,5 mil agentes (entre bombeiros, brigadistas municipais e federais) e 96 viaturas.
As operações de campo (como Tamoiotatá, Alerta Fogo e Amazonas+Verde) contam com o suporte de 25 bases permanentes no interior e o apoio tecnológico de drones.
O combate conta com o envio de reforços pela União, que expandiu a frota de suporte de 11 para 16 aeronaves, além de enviar 153 brigadistas do Programa Floresta em Pé e contingente das Forças Armadas e da Força Nacional.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



