‘Ofereci dinheiro para ela filmar kkk’ diz médica do caso Benício
De acordo com a PC, mensagens encontradas no celular da profissional após a morte da criança sugerem uma tentativa de simular falha no sistema do hospital

A investigação sobre a morte de Benício, de 6 anos, indica que a médica Juliana Brasil teria tentado fabricar uma prova para sustentar sua versão no caso. De acordo com a Polícia Civil, mensagens encontradas no celular da profissional sugerem uma tentativa de simular falha no sistema do hospital onde a criança foi atendida.
Segundo o que foi mostrado pelo Fantástico, a médica apresentou à Justiça um vídeo que indicaria um suposto erro no sistema eletrônico de prescrição do Hospital Santa Júlia, em Manaus. Na gravação, a plataforma apareceria alterando automaticamente a forma de administração da adrenalina — de inalação (correta) para intravenosa, via que acabou sendo utilizada e apontada como causa da morte.
A perícia técnica, no entanto, descartou qualquer falha no sistema.
Mensagem levanta suspeita de falsificação
Ainda conforme a reportagem do Fantástico, a polícia encontrou no celular da médica mensagens que reforçam a suspeita de tentativa de manipulação de prova.
Em uma delas, enviada após a morte do menino, Juliana afirma:
“Ofereci dinheiro pra ela filmar. Kkk. Ela disse que vai tentar.”
Para o delegado Marcelo Martins, responsável pelo caso, o conteúdo indica uma tentativa deliberada de criar uma versão favorável à defesa.
“Está muito claro que ela produziu um vídeo para tentar se eximir de responsabilidade”, afirmou ao Fantástico.
Caso Benício: saiba a diferença entre inalação e injeção de adrenalina
Morte após superdosagem
Benício morreu cerca de 14 horas depois de receber uma dose de adrenalina aplicada diretamente na veia. A investigação concluiu que houve superdosagem e que o quadro se tornou irreversível.
Ainda segundo a polícia, não houve falha no atendimento prestado pela equipe da UTI após a intoxicação.
A médica foi indiciada por:
- homicídio doloso com dolo eventual
- fraude processual
- falsidade ideológica
Ela responde ao processo em liberdade. Tanto Juliana quanto a técnica de enfermagem envolvida podem ir a júri popular.
Defesa contesta versão
Em nota exibida pelo Fantástico, a defesa da médica nega qualquer falsificação e sustenta que o vídeo é verdadeiro. Os advogados também afirmam que o sistema do hospital apresentou falhas no dia do atendimento — hipótese descartada pela perícia.
O advogado Sérgio Figueiredo declarou ainda que, no momento da intubação, a criança já não estava sob responsabilidade da médica.
“Ela já não estava sob o domínio daquela criança. Ela seguiu o plantão normalmente”, disse ao Fantástico.
Questionado sobre a participação da médica na morte, respondeu:
“Não.”
A defesa também atribui à técnica de enfermagem a aplicação inadequada do medicamento.
“Trinta e um passos teriam evitado o que aconteceu com o Benício na UTI”, afirmou.
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.



