Harmonização de glúteos: prisão de médico é decretada pela justiça após morte de paciente
Vítima tinha 46 anos e morreu horas depois do procedimento; médico responsável, Marcelo Alves Vasconcelos, agora é considerado foragido da Justiça

A Justiça de Pernambuco decretou a prisão preventiva do médico Marcelo Alves Vasconcelos. O homem é investigado pela morte de Adriana Barros Lima Laurentino, de 46 anos, paciente que morreu após realizar um procedimento de harmonização nos glúteos. O caso aconteceu em Recife, capital do estado, há mais de um ano: em 11 de janeiro de 2025.
O médico agora é considerado foragido pela Justiça. A decisão pela prisão de Marcelo se deu com a justificativa de garantia da ordem e da saúde pública, diante da possibilidade de que ele repita o procedimento e ponha em risco a vida de novos pacientes. O documento também determinou que a audiência de instrução do processo seja realizada em setembro deste ano.
Relembre o crime
A vítima, Adriana Laurentino, realizou um procedimento estético, conhecido como “harmonização de glúteos”, com o médico Marcelo Alves Vasconcelos em uma clínica de Recife em janeiro de 2025.
Segundo familiares de Adriana, ela começou a sentir fortes dores ao voltar para casa após o procedimento, ainda no mesmo dia, algumas horas depois de deixar a clínica. A mulher foi encontrada morta dentro do banheiro da sua casa.
Ainda de acordo com a família da vítima, o médico utilizou “polimetilmetacrilato” durante o procedimento. A substância, conhecida como PMMA, não é recomendada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para usos estéticos.
Na época do crime, o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco informou que Marcelo não possuía inscrição ativa no órgão. Além disso, o Conselho realizou uma fiscalização de emergência na clínica onde o procedimento aconteceu e concluiu que o local não possuía a estrutura adequada para realização da harmonização.
Segundo a defesa do médico, procurada pela CNN Brasil, o profissional deve recorrer da decisão de prendê-lo. Ainda de acordo com os advogados, Marcelo “sempre esteve, e continuará estando, à disposição da Justiça.”
Além disso, a defesa afirmou que pretende comprovar que o médico atuou dentro de todas as normas técnicas e éticas exigidas pela profissão.
Confira a nota na íntegra:
“Eu, Lymark Kamaroff, advogado, regularmente inscrito na OAB/RJ sob o nº 109.192, venho, por este intermédio, na qualidade de patrono da Dr. Marcelo Alves Vasconcelos, regularmente inscrito no CRM-PE sob o nº 38818, venho informar que o Dr. Marcelo Vasconcelos sempre esteve, e continuará estando, à disposição da Justiça por meio de seus advogados.
A defesa vai contestar essa decisão somente pelos caminhos previstos em lei, usando os recursos e pedidos que o processo permite, no tempo certo.
O caso da paciente Adriana Barros Lima Laurentino corre em segredo de Justiça. Por isso, todas as questões médicas e técnicas serão tratadas apenas dentro do processo, com base em laudos e demais provas.
É necessário ressaltar ainda, que a paciente não tinha qualquer comorbidade ou contraindicação para o procedimento e que todos os exames foram realizados e não apontavam qualquer empecilho ou contraindicação para o procedimento, bem como todas as etapas necessárias foram cuidadosamente planejadas e executadas, seguindo os mais rigorosos padrões de segurança e qualidade.
Por respeito à família da paciente, ao sigilo médico e ao próprio processo, o Dr. Marcelo não vai comentar detalhes pela imprensa. Ele confia que as autoridades vão esclarecer os fatos da forma correta.
Nossa equipe e o Dr. Marcelo lamentam profundamente a morte da paciente e se solidarizam com toda a família. Ao mesmo tempo, reafirmamos nosso compromisso de provar, dentro do processo, que o médico Marcelo Vasconcelos sempre trabalhou pautado pela técnica, pela ética e pelo cumprimento das regras da profissão”.
*Com informações de CNN Brasil
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



