Itatiaia

Isabelle Caracristi: MP pede para arquivar caso de namorado suspeito de induzir jovem ao suicídio

Apesar da solicitação sobre o crime contra a vida, João Munhoz Neto foi indiciado por violência psicológica e fraude processual; órgão avaliará se apresenta denúncia por essas acusações

Por
João Munhoz Neto e Isabelle Caracristi
João Munhoz Neto e Isabelle Caracristi • Reprodução | Redes sociais

O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) manifestou-se nesta quarta-feira (14) a favor do arquivamento da apuração sobre a suposta indução ao suicídio praticada por João Munhoz Neto no caso da morte da namorada dele, a estudante Isabelle Caracristi. O inquérito policial, concluído em 30 de setembro com o suporte de 17 laudos periciais, apontou que a jovem cometeu suicídio por precipitação voluntária.

Ao término das investigações, a Polícia Civil indiciou João Munhoz pelos crimes de fraude processual e violência psicológica, excluindo o enquadramento de indução ao suicídio, linha que havia sido averiguada na fase inicial das apurações. No documento encaminhado ao Judiciário, o Ministério Público ressaltou que as provas reunidas não demonstram dolo nem assunção do risco de provocar a morte por parte do investigado, ressaltando a ausência de elementos materiais, periciais, documentais ou testemunhais que indiquem qualquer plano para induzir ou auxiliar a vítima.

O pedido de arquivamento desse trecho da investigação será apreciado pela 5ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza. Caso a Justiça acolha a manifestação, a linha sobre indução ao suicídio será formalmente encerrada. O encerramento deste ponto, no entanto, não interfere no prosseguimento das acusações de fraude processual e violência psicológica. O MPCE avaliará o inquérito e poderá oferecer denúncia contra João por esses dois crimes, tornando-o réu caso a Justiça a aceite.

João Munhoz havia sido preso preventivamente em 22 de setembro e obteve a soltura no dia 1º de outubro por decisão judicial, passando a cumprir medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. Em nota oficial, a defesa do acusado negou qualquer tentativa de obstrução das investigações, afirmando que ele entregou espontaneamente o telefone para perícia, e classificou a acusação de violência psicológica como infundada, ressaltando o curto período do relacionamento.

O falecimento de Isabelle Caracristi ocorreu no dia 13 de setembro no condomínio do casal, em Fortaleza. O caso teve grande repercussão pública após manifestações da mãe da vítima cobrando apuração. Durante as diligências conduzidas pelo Grupo Especial de Investigação (GEI), 29 testemunhas foram ouvidas, incluindo vizinhos, funcionários do prédio e familiares.

Por

Alex Araújo é formado em Jornalismo e Relações Públicas pelo UniBH e tem pós-graduação em Comunicação e Gestão Empresarial pela PUC Minas. Trabalhou em agência de publicidade, assessoria de imprensa, universidade, jornal Hoje em Dia e portal G1, onde permaneceu por quase 15 anos.

 

 

Belo Horizonte