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'Cidade chinesa' na Bahia? Conheça Camaçari, alvo de fake news sobre a BYD

Localizada na Região Metropolitana de Salvador, um dos litorais mais bonitos da Bahia ganhou atenção com a instalação do complexo industrial da montadora chinesa BYD

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Praia de Guarajuba - Camaçari • Public domain, via Wikimedia Commons

Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, voltou ao centro das atenções com a instalação do complexo industrial da montadora chinesa BYD. Ao mesmo tempo, o município também foi alvo de desinformação nas redes sociais, com conteúdos falsos sobre uma suposta “cidade chinesa” no local.

Mas, além da polêmica, a cidade reúne história, desenvolvimento econômico e um dos litorais mais bonitos da Bahia.

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Onde fica e como é Camaçari

Praia da Espera - Itacimirim - Camaçari-BA • Adnailza, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons
Praia da Espera - Itacimirim - Camaçari-BA • Adnailza, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

Localizada a cerca de 40 a 50 km de Salvador, Camaçari é uma das principais cidades da Bahia. Com mais de 300 mil habitantes, é a quarta mais populosa do estado e a segunda maior da Região Metropolitana da capital.

Conhecida como “cidade industrial”, abriga o maior polo petroquímico do estado — e um dos maiores da América Latina — mas sua identidade vai muito além da indústria.

O município tem cerca de 784 km² de área e um dos maiores PIBs da Bahia, ficando atrás apenas de Salvador.

Turismo: mais de 40 km de praias

Arembepe, Camacari- BA • Barreto, L. A., CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Arembepe, Camacari- BA • Barreto, L. A., CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Camaçari também é um importante destino turístico e integra a Costa dos Coqueiros, com mais de 42 km de litoral.

Entre os principais pontos estão:

  • Guarajuba: uma das praias mais estruturadas e procuradas
  • Itacimirim: conhecida pelo encontro de rio e mar
  • Arembepe: famosa pela vila hippie e clima alternativo
  • Barra do Jacuípe: com paisagens naturais e tranquilidade
  • Busca Vida e Genipabu: opções mais reservadas

Além das praias, a cidade abriga atrações como:

  • o Projeto Tamar, voltado à preservação de tartarugas marinhas;
  • o Parque das Dunas de Abrantes;
  • igrejas históricas com mais de 400 anos.

História: das aldeias indígenas ao polo industrial

Guarajuba-BA • João Guilherme Leturiondo, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Guarajuba-BA • João Guilherme Leturiondo, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

A história de Camaçari começa no século XVI, com a ocupação portuguesa e a criação de aldeias jesuíticas, como a do Divino Espírito Santo.

A região teve participação em episódios históricos, como a resistência à invasão holandesa no século XVII.

O crescimento mais acelerado, porém, veio a partir da década de 1970, com a implantação do Polo Petroquímico, que transformou a cidade em um dos principais centros industriais do país.

Economia e chegada da BYD

• Iracema Chequer/divulgação
• Iracema Chequer/divulgação

Hoje, a economia de Camaçari é fortemente ligada à indústria. O polo petroquímico reúne dezenas de empresas e movimenta bilhões de reais por ano, sendo responsável por grande parte da arrecadação do município.

A cidade também diversificou suas atividades, com setores como:

  • metalurgia
  • energia
  • têxtil
  • serviços

Com a saída da Ford em 2021, a chegada da BYD marca uma nova fase industrial, com foco em tecnologia e veículos elétricos.

Fake news: não há “cidade chinesa”

Nos últimos dias, circulou nas redes sociais a informação de que a BYD teria levado cerca de 10 mil chineses para Camaçari, criando uma espécie de “cidade estrangeira”. A informação é falsa.

Segundo a empresa e o governo da Bahia:

  • o número de 10 mil se refere à quantidade de empregos gerados, não a estrangeiros;
  • a maior parte dos trabalhadores é brasileira, com prioridade para mão de obra local;
  • há exigência contratual de predominância de trabalhadores nacionais;
  • estrangeiros atuam apenas de forma pontual, principalmente na transferência de tecnologia.

Ou seja, não existe qualquer plano de “ocupação” ou substituição de trabalhadores brasileiros.

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias Turismo e Emprego e Concursos.