Museu do Futebol em SP reabre com sala especial para Pelé e vídeos sobre prisões de Robinho Daniel Alves
Imagens também mostram uso político da camisa da seleção brasileira; futebol feminino ganha mais destaque

O Museu do Futebol, que fica no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, foi reaberto na sexta-feira (12) após oito meses em reforma - a maior desde a inauguração, em 2008. O local ganhou novas salas, conteúdos atualizados e itens raros, como a camisa que Pelé usou na final da Copa do Mundo de 1970, no México, contra a Itália. Até o domingo (14), a entrada é gratuita.
Na sala totalmente dedicada ao Rei do Futebol, que é uma das novidades, também estão itens como o uniforme usado pelo jogador em uma partida em homenagem à rainha Elizabeth II, da Inglaterra, pela Seleção Paulista.
Monitores do museu também mostram fatos da sociedade que aconteceram na época das fotos, como o uso político da camisa da seleção e as prisões dos condenados por estupro Robinho e Daniel Alves, ex-jogadores de futebol.

As novas instalações também priorizam a trajetória do Pacaembu, com um vídeo especial de nove minutos sobre o estádio, além de maquetes táteis e assentos originais do estádio. As portas que ligam o museu ao gramado foram reabertas, permitindo o acesso dos visitantes.
Nessa nova fase, foram licenciadas mais de 1,5 mil imagens, além da inclusão de 136 novos textos, da produção de mais de 60 vídeos e da aquisição de centenas de equipamentos – entre computadores, monitores, câmeras e projetores.
Com a atualização do espaço cultural, o futebol feminino ganhou mais destaque nas áreas expositivas. A Sala das Origens, que aborda curiosidades da modalidade desde o século XIX, agora realça o papel delas nos gramados. Um dos exemplos é o decreto assinado pelo presidente Getúlio Vargas em 1941, que proibiu a prática para as mulheres sob a justificativa de que era “incompatível com as condições de sua natureza”. O veto valeu até 1979.

As primeiras informações sobre a entrada das mulheres em campo foram incluídas na exposição principal do Museu em 2015. Agora, no percurso atualizado, há mais conteúdos inéditos coletados e cedidos por jogadoras, técnicas e jornalistas esportivos, incluindo imagens de brasileiras jogando nos anos 1920. Também há mais representação racial e de pessoas com deficiência no esporte.
“A reabertura do Museu do Futebol celebra nossa rica história futebolística e abraça a diversidade e a inclusão. Este espaço renovado oferece uma oportunidade única para todas as gerações se conectarem com as raízes do esporte que molda nossa identidade nacional”, afirma a secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas, Marília Marton.
Reforma
O espaço cultural estava em reforma desde novembro do ano passado e manteve funcionamento parcial até junho, quando foi fechado totalmente para a finalização das obras. O investimento para a renovação foi de R$ 15,8 milhões do Governo de São Paulo e de patrocínio de empresas privadas por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet.
O projeto foi liderado pelos curadores Leonel Kaz, Marcelo Duarte e Marília Bonas, com direção artística e projeto expográfico de Daniela Thomas e Felipe Tassara, comunicação visual de Jair de Souza e consultoria de acessibilidade de Marina Baffini. Para desenvolver as novas atrações, a curadoria formou conselhos com personalidades ligadas ao esporte e a com própria equipe técnica do Museu do Futebol.
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